Trabalhadores do Sistema Petrobras iniciaram nesta segunda-feira, 15 de dezembro, uma greve nacional por tempo indeterminado. A paralisação atinge plataformas, refinarias e terminais em diferentes regiões do país e ocorre após a rejeição de uma proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), documento que define salários, benefícios e condições de trabalho dos empregados.

Segundo a federação, a adesão ao movimento começou ainda na madrugada e ganhou força ao longo do dia.
Plataformas e terminais aderem nas primeiras horas
Conforme a FUP, as primeiras unidades a aderirem à greve foram as plataformas localizadas no Espírito Santo e no Norte Fluminense. Nessas regiões, a operação foi repassada para equipes de contingência da Petrobras, responsáveis por manter apenas as atividades consideradas essenciais.
Outro ponto de destaque foi o Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas. Segundo o sindicato, toda a operação do terminal aderiu à paralisação, demonstrando adesão total dos trabalhadores logo no início do movimento.
A entrega das atividades para equipes de contingência é uma estratégia comum em greves do setor de petróleo, já que permite manter a segurança das instalações, ao mesmo tempo em que evidencia a insatisfação dos trabalhadores com as condições negociadas.
Refinarias suspendem troca de turno
Durante a manhã, a paralisação avançou para o setor de refino. Trabalhadores de seis refinarias ligadas às bases da FUP deixaram de realizar a troca de turno das 7 horas, procedimento necessário para a continuidade normal das atividades.
As unidades afetadas foram a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, Minas Gerais; a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro; a Refinaria de Paulínia (Replan), a Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá, e a Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, todas em São Paulo; além da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, no Paraná.
A não realização do revezamento de turnos é uma das formas de pressão utilizadas pela categoria, pois interfere diretamente na rotina operacional das refinarias, mesmo com a presença de equipes emergenciais.
Impasse nas negociações motiva paralisação
A greve foi aprovada após a rejeição da segunda contraproposta da Petrobras para o Acordo Coletivo de Trabalho. Segundo os sindicatos, o texto apresentado pela empresa não trouxe avanços nos principais pontos discutidos ao longo das negociações.
Um dos temas centrais é a situação dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, fundo de pensão dos empregados da estatal. Os PEDs são mecanismos criados para cobrir déficits financeiros e resultam em descontos mensais nos benefícios de aposentados e pensionistas, reduzindo a renda dessas pessoas. O assunto vem sendo debatido há quase três anos entre trabalhadores, governo e entidades representativas.
Outro ponto de insatisfação envolve o plano de cargos e salários. Os sindicatos cobram garantias de recomposição salarial sem a aplicação de regras de ajuste fiscal, que podem limitar correções ou impedir ganhos reais.
Também faz parte das reivindicações a chamada pauta pelo Brasil Soberano, que defende a manutenção da Petrobras como empresa pública, com atuação estratégica voltada ao fortalecimento da estatal e ao desenvolvimento nacional.
Segundo a FUP, além de não responder de forma objetiva a esses temas, a proposta da empresa deixou pendências acumuladas ao longo do processo de negociação.
Petrobras diz que produção e abastecimento seguem normais
Em nota oficial, a Petrobras confirmou a ocorrência de manifestações em algumas unidades, mas afirmou que não houve impacto na produção de petróleo e derivados até o momento. A empresa informou que adotou medidas para garantir a continuidade das operações e preservar a segurança das instalações.
A estatal também assegurou que o abastecimento do mercado está garantido, afastando riscos imediatos de falta de combustíveis. No comunicado, a companhia reforçou que respeita o direito de manifestação dos empregados e mantém canais permanentes de diálogo com os sindicatos.


