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Copa do mundo 2026: como será o impacto do evento na economia?

A Copa do Mundo é um dos maiores eventos esportivos do planeta e também exerce influência sobre a economia global. Quando uma edição do torneio acontece, como a de 2026, sediada pelos Estados Unidos, México e Canadá, há impactos diretos e indiretos em diversos setores da economia em escala internacional, desde o turismo até a geração de emprego e renda.

Para compreender a dimensão econômica dessa competição é necessário olhar para estimativas feitas por estudos que analisam tanto os efeitos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) quanto as oportunidades de emprego e o consumo gerado pelo evento.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em uma economia num determinado período. Estimativas publicadas por estudos oficiais envolvendo a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), em parceria com a Organização Mundial do Comércio (WTO), apontam que a Copa do Mundo de 2026 deverá contribuir significativamente para o crescimento econômico global.

Essas projeções são parte de um estudo socioeconômico divulgado pela OpenEconomics, encomendados pela FIFA e pelo Secretariado da Organização Mundial do Comércio (OMC), que prevê um impacto no PIB mundial de até US$ 40,9 bilhões, equivalente a R$ 208 bilhões, em razão do evento, mesmo antes de ajustes por inflação ou outras variáveis.

Leia também: Economia criativa entra no radar da inteligência artificial em 2026

Torcida e movimento de turistas mostram a dimensão econômica da Copa do Mundo | Foto: Reprodução/Canva
Torcida e movimento de turistas mostram a dimensão econômica da Copa do Mundo | Foto: Reprodução/Canva

Geração de empregos e benefícios sociais

Além do aumento no PIB, o mesmo estudo associa a Copa do Mundo com a criação de empregos em larga escala. São estimados até 824 mil postos de trabalho em equivalentes de tempo integral, o que significa funções temporárias ou permanentes ligadas direta ou indiretamente à preparação e realização do evento. Esse número inclui oportunidades em setores como construção civil, turismo, hotelaria, transporte e serviços para a transmissão e cobertura dos jogos.

O relatório também aponta benefícios sociais adicionais ao redor de US$ 8,28 bilhões, aproximadamente R$ 42 bilhões, relacionados a efeitos positivos como aumento de renda para famílias em atividades turísticas e maior mobilidade econômica em regiões envolvidas com o torneio.

Turismo impulsionado pelo torneio

Um dos efeitos mais visíveis da Copa do Mundo é o influxo de turistas internacionais às cidades-sede. Em 2026, espera-se que cerca de 6,5 milhões de pessoas assistam aos jogos presencialmente, em estádios distribuídos pelos três países anfitriões. Essa movimentação de público traduz-se em demanda por hotéis, transporte urbano e interurbano, restaurantes, guias e comércio local, gerando receitas que beneficiam setores que atendem diretamente o visitante estrangeiro e também a economia doméstica local.

Esses economistas usam o conceito de “efeito multiplicador do turismo”, que ocorre quando cada dólar gasto por visitantes circula dentro da economia e cria caixa adicional para outros setores, ampliando o impacto econômico total. A presença de turistas tende a elevar receitas de serviços locais, ainda que parte desses ganhos seja temporária e relacionada ao período do torneio.

Sinais de crescimento local e regional

Em países ou cidades que abrigam jogos importantes, o impacto pode ser ainda mais evidente. Relatórios regionais publicados nos Estados Unidos, por exemplo, indicam que áreas metropolitanas como Nova York e Nova Jersey poderão registrar um impulso de mais de US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 15 bilhões) em suas economias locais, incluindo gastos com alimentação, transporte e hospedagem durante a Copa de 2026.

Esses efeitos, embora fortemente concentrados no período dos jogos, podem trazer visibilidade internacional e estimular investimentos posteriores em infraestrutura e serviços, criando um legado para o turismo futuro.

Exemplos de impacto em edições anteriores

Levando em conta edições anteriores do evento, há exemplos concretos de contribuição econômica. Na Copa do Mundo de 2018, sediada pela Rússia, estimou-se que o torneio gerou cerca de 12,5 bilhões de euros para a economia local, o equivalente a algo acima de R$ 54 bilhões à época, e representou mais de um por cento do PIB daquele país no ano do evento.

Esses números mostram que mesmo quando o impacto econômico se concentra no país anfitrião, há reflexos em segmentos como construção e melhoria de infraestrutura, que podem gerar efeitos duradouros no longo prazo.

Pontos de atenção para os anfitriões

Apesar dos números expressivos, economistas e especialistas em eventos de grande porte alertam que nem todos os efeitos são exclusivamente positivos ou permanentes. Os investimentos em estádios e grandes obras de infraestrutura podem gerar endividamento ou custos subsequentes se não forem bem planejados.

O ganho econômico pode ser temporário e que a sustentabilidade financeira depende de como as obras e estruturas serão utilizadas após o fim da competição, algo que varia de país para país.

Além disso, o impacto sobre o emprego pode ser concentrado no período próximo ao evento, com muitos postos de trabalho sendo temporários, como ocorre frequentemente em setores ligados ao turismo e à construção civil.

Considerações sobre o impacto global

A dimensão global da Copa do Mundo significa que seus efeitos não se restringem às economias dos países anfitriões. A transmissão internacional de jogos envolve acordos de direitos de mídia que mobilizam milhares de profissionais e geram receitas para canais de televisão e plataformas de transmissão digital em diferentes continentes. O comércio de produtos licenciados, como camisas, bolas e souvenirs oficiais, também movimenta bilhões de reais em transações durante o ano do torneio.

Esses efeitos cruzam fronteiras e se entrelaçam com setores econômicos diversos, o que reforça a ideia de que a Copa do Mundo é um fenômeno com forte presença tanto na economia real quanto no mercado de esportes internacionais.

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