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Número de ambulantes que se tornaram MEI sobe 45% em dois anos

O número de ambulantes que deixaram a informalidade e se registraram como microempreendedores individuais (MEI) cresceu 45% entre 2023 e 2025. No ano passado, mais de 56 mil trabalhadores que atuam nas ruas abriram CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). Em 2023, esse número era de 38 mil, e em 2024 chegou a 42 mil.

Os dados são do DataSebrae, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e mostram um avanço consistente da formalização em um dos setores mais tradicionais da economia informal brasileira.

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Mais de 56 mil vendedores de rua abriram CNPJ em 2025 e ampliaram acesso a crédito e benefícios | Foto: Reprodução/Canva
Mais de 56 mil vendedores de rua abriram CNPJ em 2025 e ampliaram acesso a crédito e benefícios | Foto: Reprodução/Canva

O que significa virar MEI?

Ao se formalizar como Microempreendedor Individual (MEI), o ambulante passa a ter CNPJ e deixa de atuar totalmente na informalidade. Isso permite emitir nota fiscal, abrir conta empresarial e contribuir para a Previdência Social.

Na prática, o trabalhador passa a ter direito a benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. O regime também autoriza a contratação de um funcionário e estabelece limite de faturamento anual de até R$ 81 mil. Em contrapartida, o empreendedor paga uma taxa mensal fixa, de valor reduzido, que inclui os tributos e a contribuição ao  Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Para muitos ambulantes, a formalização representa segurança. Em caso de doença ou acidente, por exemplo, há proteção previdenciária. Além disso, o CNPJ facilita o acesso a crédito com juros menores, algo que costuma ser mais difícil para quem trabalha apenas como pessoa física.

Carnaval impulsiona formalização de ambulantes

O crescimento do número de ambulantes formalizados ocorre em um momento de forte movimentação econômica. O Sebrae estima que o Carnaval de 2026 deve movimentar cerca de R$ 18,6 bilhões no país.

Durante a festa, vendedores de bebidas, alimentos e acessórios encontram uma oportunidade importante de aumentar a renda. A formalização pode facilitar a obtenção de autorizações para trabalhar em áreas específicas e ampliar a possibilidade de participação em eventos organizados pelas prefeituras.

Na Bahia, por exemplo, pequenos negócios representam quase a totalidade dos segmentos de alimentação fora do lar e transporte turístico. A expectativa é que Salvador receba mais de 1,2 milhão de visitantes, movimentando cerca de R$ 1,8 bilhão na economia local.

Estados com maior crescimento

Os números mostram avanço significativo em diferentes regiões do país. São Paulo lidera em volume absoluto, com 16 mil ambulantes formalizados em 2025. O Rio de Janeiro registrou 6,5 mil novos MEIs, enquanto a Bahia contabilizou 2,9 mil.

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O Rio foi o estado com maior crescimento proporcional no período analisado. A expansão acompanha o aumento de grandes eventos, festas populares e atividades turísticas, que ampliam as oportunidades para quem trabalha nas ruas.

Impacto na renda e na segurança financeira

Para o público de renda mais baixa, a formalização pode representar mudança estrutural na vida financeira. Trabalhar com CNPJ reduz o risco de apreensão de mercadorias por falta de licença e melhora a imagem perante fornecedores e clientes.

O acesso a crédito também é um ponto relevante. Com registro ativo e pagamentos em dia, o microempreendedor pode buscar linhas de financiamento para comprar estoque, investir em equipamentos ou ampliar o negócio.

Ao mesmo tempo, a formalização amplia a proteção social. Em vez de depender exclusivamente da renda diária, o trabalhador passa a contar com uma rede mínima de segurança em situações imprevistas.

Movimento de inclusão produtiva

O crescimento de 45% na formalização indica que mais ambulantes estão buscando estabilidade e organização financeira. Para o governo, isso amplia a base de contribuintes da Previdência e reduz a informalidade. Para o trabalhador, significa a possibilidade de transformar uma atividade de sobrevivência em um negócio estruturado.

Em um cenário de eventos que movimentam bilhões de reais, como o Carnaval, a formalização pode ser o diferencial entre apenas vender no dia e construir uma atividade com perspectiva de crescimento.

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