Nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram os resultados da primeira etapa do Censo Escolar de 2025.
Foram registrados mais de 46 milhões de estudantes na educação básica, uma redução de 2,29% nas matrículas, em relação ao ano anterior. De acordo com o governo, essa queda não é necessariamente negativa, pois ela pode refletir maior eficiência do sistema, com menos alunos repetindo anos ou abandonando os estudos.
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O ensino fundamental continua como a maior etapa, com 25,8 milhões de alunos, e já é considerado universalizado, atingindo 99,5% das crianças de 6 a 14 anos. Já no ensino médio, o cenário é de transformação. Embora o número total de matrículas tenha caído para 7,36 milhões, o Inep explica que isso acontece porque os alunos estão concluindo a escola na idade certa.
O coordenador do Inep, Fábio Pereira Bravin, destacou à Agência Brasil que o índice de alunos atrasados no ensino médio caiu de 25,3% (em 2021) para 16% em 2025. O ministro Camilo Santana atribuiu parte desse sucesso ao programa Pé-de-Meia, que oferece um incentivo financeiro para estudantes do CadÚnico permanecerem na escola e concluírem o ano letivo.
Ainda que tenha tido avanços gerais, o Censo 2025 registrou um alerta vermelho referente à desigualdade racial nas escolas. O atraso escolar é significativamente maior entre alunos que se declaram pretos ou pardos do que entre os brancos.
No Ensino Fundamental, apenas 9,2% dos alunos brancos estão atrasados. O índice revela que, entre os alunos negros, esse valor sobe para 17,7%. Mas no Ensino Médio, essa diferença continua, com 19,3% dos jovens negros fora da idade esperada, contra 10,9% dos brancos.
O que esse resultado do Censo Escolas revela sobre a sociedade?
Para as famílias brasileiras, os dados do Censo mostram que o sistema público está conseguindo segurar o jovem na escola por mais tempo e com menos repetência. Isso significa uma formação mais rápida e melhor para o mercado de trabalho. Programas como o Pé-de-Meia funcionam como uma rede de proteção financeira, garantindo que o estudo não seja trocado pelo trabalho precoce por necessidade.
Por outro lado, os dados de desigualdade racial mostram que o endereço e a cor da pele ainda influenciam o sucesso escolar no Brasil. Para a população, isso reforça a necessidade de cobrança por políticas de assistência estudantil mais focadas em grupos vulneráveis, para que o sucesso escolar não seja um privilégio, mas uma realidade para todos os 46 milhões de estudantes.