O Desenrola Adimplentes, programa do governo federal, criado em junho de 2026 e vinculado ao Ministério da Fazenda, começa a funcionar nesta segunda-feira, 10 de agosto, com uma nova opção de crédito para trabalhadores informais que estão pagando suas dívidas em dia.
A modalidade permite trocar uma dívida mais cara por outra com juros de até 1,99% ao mês e também pode liberar um valor extra para quem se enquadrar nas regras.
O programa faz parte de uma nova etapa do Desenrola 2.0 e também oferece condições especiais para estudantes que têm contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em dia. No início, o crédito estará disponível pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal. Outras instituições financeiras poderão entrar no programa posteriormente.
Para os trabalhadores informais, a proposta é atender pessoas que não têm carteira assinada e que, por isso, podem encontrar mais dificuldade para conseguir crédito com juros menores.

Quem pode trocar a dívida por um crédito mais barato?
O trabalhador precisa ter uma dívida de crédito pessoal que não tenha sido feita com desconto direto no salário ou benefício. Também é necessário já ter pago pelo menos quatro parcelas. Além disso, o valor que ainda falta pagar não pode passar de R$ 15 mil em cada instituição financeira e a dívida precisa estar em dia ou ter atraso de até 90 dias tanto na data definida pelo governo para as regras do programa, quanto no momento em que o novo crédito for contratado.
A medida vale para trabalhadores sem vínculo formal de emprego. Servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) não podem participar dessa modalidade.
Quem for aprovado terá a dívida antiga quitada e substituída por uma nova operação. Os juros serão de até 1,99% ao mês, e a nova parcela não poderá passar de 90% do valor da prestação anterior.
Também existe a possibilidade de receber um valor adicional. O programa permite liberar até 50% do saldo que ainda falta pagar da dívida original, desde que a nova prestação continue dentro do limite de 90% da parcela anterior.
Como pedir o crédito?
No início do programa, o interessado deve procurar a Caixa ou o Banco do Brasil e pedir uma análise. Mesmo quem tem dívida em outro banco poderá procurar uma das duas instituições, mas será necessário passar por uma nova avaliação de crédito. A aprovação não é automática. O banco vai verificar se a dívida e o perfil do cliente atendem às regras do programa.
O governo também determinou que quem participar deverá aceitar o bloqueio do próprio CPF em plataformas de apostas online por seis meses. Durante esse período, não será possível criar ou acessar contas de bets vinculadas ao CPF. A medida foi incluída para evitar que o dinheiro obtido com juros menores seja usado em apostas.
Programa também tem regras para o Fies
O Desenrola Adimplentes também atende estudantes com contratos do Fies que estejam em dia. Para contratos assinados até 2017, há possibilidade de desconto de 12% sobre o valor total da dívida para quem pagar o débito à vista, desde que cumpra as condições estabelecidas pelo programa. O prazo para aderir a essa condição vai até 31 de dezembro de 2026.
Além da renegociação, o programa oferece crédito para formados pelo Fies que queiram começar uma atividade profissional ou abrir um negócio. Para ter acesso, é preciso estar em dia com o financiamento há pelo menos 36 meses e não ter feito uma renegociação da dívida. Nesse caso, os juros podem chegar a 0,87% ao mês. O limite é de R$ 80 mil para pessoas físicas e de R$ 180 mil para empresas.
Governo muda regra para ampliar participação dos bancos
Uma das mudanças feitas antes do início do programa alterou a forma como os bancos poderão usar os recursos disponíveis. Do total emprestado pelo programa, 70% serão formados por recursos da União e 30% virão do dinheiro das próprias instituições financeiras participantes. A mudança permite que bancos públicos e outras instituições autorizadas participem das operações. Segundo o Ministério da Fazenda, a alteração busca aumentar o número de instituições interessadas no programa.
As operações para trabalhadores informais também contam com uma garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), criada para reduzir o risco de perdas para as instituições financeiras.
Como ficam os juros?
Um dos principais atrativos para os trabalhadores informais é a possibilidade de substituir uma dívida com juros altos por outra mais barata. O novo crédito terá juros de até 1,99% ao mês. Segundo as informações divulgadas pelo governo, operações desse tipo têm atualmente uma taxa média próxima de 7% ao mês.
O prazo para pagar a nova dívida será, em regra, semelhante ao tempo que ainda faltava para quitar o crédito antigo. O programa permite pequenas extensões desse prazo, dependendo de quanto tempo ainda faltava para o pagamento da dívida original.
A contratação deve ser feita somente pelos canais oficiais da Caixa ou do Banco do Brasil. O cliente não precisa pagar intermediários para participar do programa.


