O setor de eventos e entretenimento no Brasil encerrou 2025 batendo recordes históricos, movimentando mais de R$ 140,9 bilhões em consumo e consolidando uma alta de 5% em relação ao ano anterior.
Em um cenário em que o chamado live marketing — estratégia de marketing baseada em experiências ao vivo, como eventos, ativações de marca e ações presenciais — se tornou peça-chave, com investimentos que já superam R$ 100 bilhões, a sobrevivência e o destaque no setor não dependem apenas de “fazer festa”, mas de gestão eficiente e planejamento financeiro.
É nesse contexto de forte crescimento do mercado que a trajetória de Hugo Mendes, fundador e diretor executivo (CEO) do Grupo We Make, ganha destaque como um caso de sucesso.
Aos 31 anos, Mendes lidera uma empresa que realizou 61 projetos em 2025 e projeta um crescimento de 75% no volume de operações em 2026.
Sem herança ou investimentos externos, ele transformou uma produtora criada em 2018 em um grupo que atua em diferentes etapas do processo, desde a criação de cenários à produção completa de eventos e conexão com grandes marcas.
Diferente de muitas empresas que buscam investidores para crescer rapidamente, Hugo apostou em um modelo mais conservador: crescer com o próprio dinheiro da empresa. Para ele, o sucesso da We Make vem de um planejamento financeiro focado em manter o caixa saudável antes de distribuir lucros entre os sócios.
“A estratégia é bem básica e trivial: gerar caixa. Os sócios podem ser os maiores inimigos do projeto, que é a empresa, principalmente numa fase inicial. A gente sempre priorizou que a pessoa jurídica tivesse fôlego para investirmos e reinvestirmos na velocidade que queríamos”, explica Hugo.
Esse modelo foi colocado à prova durante a pandemia, período que afetou fortemente o setor de eventos. Hugo define esse momento como uma “guerra” para sua geração. Foi nesse cenário que a empresa adaptou sua atuação, passando a oferecer mais serviços e identificando novas oportunidades de receita.
“A pandemia foi um grande ensinamento. Nesse recomeço, foi o grande ponto de inflexão da We Make, onde a gente enxergou e alinhou o norte e seguimos nele”, afirma.
Verticalização e alianças de peso
Para crescer em um mercado que gerou cerca de 186 mil empregos em 2025, a empresa se organizou em três frentes principais:
- We Make Ideias (produção de eventos);
- Agência Borbô (criação e estratégia de marca);
- Make & Concept (cenografia, montagem de espaços e ambientes).
Essa estrutura permitiu entregar o “360” que o mercado de luxo e o corporativo demandam, resultando em ativações marcantes como as de Amarula e parcerias criativas com nomes como Adoro Farm e a própria borbo.ag.

“O que eu acredito que marcas como Valentino e Kérastase enxergam nas nossas entregas é um cuidado nos detalhes que vai além da média. Só faz sentido ganhar em escala quando você consegue garantir qualidade. A cada degrau que a gente sobe, a gente cria mais confiança das indústrias no nosso trabalho”, afirma Mendes.
O “efeito Disney” e a fidelidade do público
O portfólio da We Make é extenso e desejado, Entre os principais projetos da empresa estão eventos como Réveillon Amoré, Numanice (Rio), We Make Better Days e Ixquece. A proposta é criar experiências marcantes, que façam o público se sentir em um ambiente seguro, organizado e diferente — o que Hugo chama de “efeito Disney”.
A confiança do consumidor é tamanha que a empresa utiliza estratégias de marketing baseadas na constância da entrega. “Hoje nossos maiores projetos autorais não têm divulgação de qual vai ser a bebida até a semana do evento, e só sabem quem vai se apresentar quando o artista sobe no palco”, destaca Hugo. Essa fidelidade refletiu nos números de 2025: mais de 35 mil pessoas passaram pelos eventos da marca e cerca de 10 mil empregos foram gerados pelo grupo.
Realização como métrica de sucesso
No Carnaval de 2026, a aposta da vez foi a consolidação do CarnaHipica, projeto que ocupa a Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa, com uma experiência de entretenimento criativo durante todos os dias de Carnaval. Para Mendes, o resultado financeiro é uma consequência natural de uma prática de gestão rigorosa, mas a métrica final é outra.
“Sucesso para a gente é uma composição de fatores. Tem projetos que não dão resultado financeiro inicialmente, mas para nós é sucesso porque estamos construindo uma marca que lá na frente terá rentabilidade e reconhecimento. Sucesso é a satisfação do cliente e o desejo dele de voltar”, conclui.
Combinando criatividade com uma gestão financeira austera, o Grupo We Make deixa claro que, no bilionário mercado de entretenimento moderno, as ideias incríveis só se sustentam com uma execução impecável. Como diz o lema da casa: ”ideias incríveis? we make!”.


