No dia 2 de maio de 2026, a Praia de Copacabana voltou a ser palco de um dos maiores espetáculos gratuitos do mundo. Shakira foi a atração principal do “Todo Mundo no Rio 2026”, evento que já se consolidou no calendário que movimenta a Economia Criativa carioca — e que promete continuar até pelo menos 2028. Mas o que fica além da música, das luzes e dos 2 milhões de pessoas reunidas à beira-mar?

O impacto econômico do Todo Mundo no Rio 2026
A estimativa é de que o show movimente R$ 776,2 milhões na economia carioca — com potencial de alcançar R$ 800 milhões. Os números revelam um perfil interessante do público: 84,6% de cariocas e moradores da Região Metropolitana, 13,9% de turistas nacionais e apenas 1,6% de estrangeiros.
Ou seja, quem lotou Copacabana foi, em sua maioria, o próprio povo do Rio — que gastou em média R$ 141,75 no dia, enquanto turistas brasileiros chegaram a R$ 547,30 e estrangeiros a R$ 626,40. Essa composição diz muito sobre o modelo: o megashow gratuito não é só um presente à população, é uma aposta calculada de que o carioca comum, em volume, também move a economia criativa local.
Em maio de 2025, impulsionada pelo programa “Todo Mundo no Rio”, a cidade arrecadou R$ 66,8 milhões em impostos sobre serviços de turismo — crescimento real de 23,2% em relação a maio de 2023, quando ainda não havia grandes shows internacionais no período.
Quem lotou Copacabana — e quanto gastou
A lógica da economia criativa aplicada ao turismo de eventos é simples: cultura de massa gera deslocamento, deslocamento gera consumo, consumo gera receita. No caso do show de Shakira, a equação funcionou em múltiplas camadas — hotéis, restaurantes, transporte, ambulantes e serviços formais e informais se beneficiaram simultaneamente da concentração de 2 milhões de pessoas em um único ponto da cidade.
A prefeitura investiu cerca de R$ 15 milhões para viabilizar o evento, apostando que o fim de semana confirmaria — e superaria — o retorno econômico projetado. Pelo histórico dos shows anteriores, a aposta tem fundamento sólido.
US$ 250 milhões em exposição midiática global
A visibilidade internacional tem um valor que vai muito além do dinheiro imediato. O show de Shakira deve gerar cerca de US$ 250 milhões em exposição midiática global — o equivalente a aproximadamente R$ 1,3 bilhão em publicidade espontânea para o Rio de Janeiro. Madonna (2024) e Lady Gaga (2025) juntas já somaram US$ 500 milhões nesse tipo de alcance.
Essa é a lógica que o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, resume com clareza: Copacabana oferece algo raro no mundo — infraestrutura, paisagem icônica e capacidade de receber multidões de forma segura. Não é sorte, é posicionamento estratégico de economia criativa urbana.
Economia criativa ou desigualdade invisível?
Claro que nem tudo é euforia. O comércio popular registrou movimento mais tímido do que nos shows anteriores, com lojistas relatando menor demanda nas semanas que antecederam o evento. E há uma pergunta importante que precisa ser feita: quem, de fato, se beneficia desse modelo?
Os efeitos sobre arrecadação, empregos e cadeias produtivas são reais — o secretário Osmar Lima tem razão ao apontá-los. Mas analisar o impacto econômico de um show gratuito em uma cidade marcada por profundas desigualdades exige que olhemos também para quem serviu as bebidas, quem limpou as ruas, quem vendeu no carrinho e quem dormiu na calçada perto do palco. A conta de R$ 800 milhões não chega igual para todo mundo.
Shakira em Copacabana confirma que o Rio sabe transformar cultura em desenvolvimento econômico. O desafio que permanece é garantir que os frutos dessa economia criativa se distribuam de forma mais ampla pela cidade.
Quem vem depois? O futuro do Todo Mundo no Rio
Com o programa confirmado até 2028, a pergunta que o Rio — e o mundo — já faz é: quem será a próxima atração do Todo Mundo no Rio depois de Shakira?
Bora desmistificar o Evento?!
O show de Shakira em Copacabana foi gratuito? Sim. O evento “Todo Mundo no Rio 2026” é 100% gratuito e aberto ao público. O acesso à Praia de Copacabana não exigiu ingressos.
Quantas pessoas foram ao show de Shakira no Rio? A estimativa oficial é de 2 milhões de pessoas presentes na Praia de Copacabana no dia 2 de maio de 2026.
Qual foi o impacto econômico do show de Shakira no Rio de Janeiro? A projeção é de que o evento movimente entre R$ 776,2 milhões e R$ 800 milhões na economia carioca, considerando gastos com hospedagem, alimentação, transporte e serviços.
O Rio de Janeiro terá mais shows gratuitos em Copacabana? Sim. O programa “Todo Mundo no Rio” está confirmado até pelo menos 2028, com a previsão de novos shows internacionais de grande porte na Praia de Copacabana.
Quais artistas já se apresentaram no Todo Mundo no Rio? Madonna se apresentou em 2024 e Lady Gaga em 2025, ambas gerando impacto midiático estimado em US$ 500 milhões combinados. Shakira é a atração de 2026.
O que é economia criativa e qual é a relação com os shows de Copacabana? Economia criativa é o conjunto de atividades econômicas que têm origem na criatividade, cultura e talento humano. Os megashows de Copacabana são um exemplo direto dessa estratégia: o Rio usa eventos culturais de massa como alavanca para gerar turismo, arrecadação fiscal, empregos e projeção internacional da cidade.


