Conceição de Ibitipoca e Delfinópolis foram escolhidas, com outras cinco vilas, para representar o Brasil no Best Tourism Villages 2026. Esse selo internacional, concedido pela ONU Turismo, reconhece comunidades rurais que se destacam pelo turismo sustentável, preservação cultural e desenvolvimento econômico local.
As duas localidades mineiras estão entre os sete destinos brasileiros selecionados pelo Ministério do Turismo para disputar o reconhecimento mundial. O resultado será anunciado em dezembro, durante evento da ONU Turismo em Buenos Aires, na Argentina. Ao todo, 268 destinos de diversos países concorrem nesta edição.
O que é o selo Best Tourism Villages?
Criado pela ONU Turismo em 2021, o Best Tourism Villages (Melhores Vilas Turísticas) reconhece pequenas comunidades rurais que utilizam o turismo como ferramenta de transformação econômica e social, promovendo:
- Preservação do patrimônio cultural;
- Conservação ambiental e práticas ESG;
- Valorização das tradições locais;
- Inclusão social;
- Geração de emprego e renda descentralizada;
- Desenvolvimento sustentável.
A iniciativa também integra uma rede global de destinos que compartilham boas práticas em gestão turística, inovação e sustentabilidade. Podem participar localidades com até 15 mil habitantes, inseridas em áreas onde predominam atividades tradicionais como agricultura, pecuária, pesca ou silvicultura, mantendo forte identidade cultural e comunitária.

Representantes mineiras e o potencial de investimentos
Conceição de Ibitipoca (Lima Duarte)
Com aproximadamente 1,1 mil moradores, a vila é referência nacional em turismo de natureza e atração de capital privado para hotelaria charmosa. Seu principal ativo econômico é o Parque Estadual do Ibitipoca, um dos destinos de ecoturismo mais visitados de Minas Gerais, reunindo trilhas, cachoeiras, grutas, mirantes e experiências voltadas ao turismo de bem-estar.
Além da natureza preservada, a vila mantém patrimônio histórico ligado aos antigos caminhos do ciclo do ouro e uma forte vocação para hospedagens de pequeno porte e turismo de experiência de alto valor agregado.
Delfinópolis
Localizada na Serra da Canastra, Delfinópolis tornou-se um importante polo de turismo ecológico e de aventura. O município reúne mais de 150 cachoeiras catalogadas, áreas de cerrado preservado, trilhas e forte ligação com o Parque Nacional da Serra da Canastra.
A economia local vem ampliando sua dependência positiva do turismo, impulsionando a cadeia de valor da região, que engloba pousadas, restaurantes, guias turísticos, produtores rurais e o comércio regional, potencializando também a inserção de produtos de indicação geográfica, como o queijo Canastra, no mercado internacional.
Outros destinos brasileiros que disputam o selo
Além das duas localidades mineiras, o Brasil indicou:
- Holambra (SP);
- São José do Barreiro (SP);
- Lençóis (BA);
- Vila Flores (RS);
- Vila de Araçá (SC).
As sete candidaturas foram escolhidas pelo Ministério do Turismo entre dez propostas enviadas pelos estados brasileiros.
Destinos mundiais que já receberam o reconhecimento
Desde sua criação, dezenas de vilas ao redor do mundo já conquistaram o selo da ONU Turismo. Entre alguns dos destinos reconhecidos estão localidades da Espanha, Itália, Japão, Portugal, China, Peru, México, Indonésia, Áustria e Suíça.
Os destinos contemplados passam a integrar uma rede internacional de promoção turística, recebendo maior visibilidade em campanhas globais da ONU Turismo, o que atrai novos investimentos e visitantes internacionais.
Impacto macroeconômico e valorização de marca do destino
Embora o selo não conceda recursos financeiros diretamente, especialistas consideram o reconhecimento um selo de investimento que eleva o valor de marca internacional da região. Entre os principais benefícios financeiros e sociais estão:
- Aumento do fluxo turístico nacional e estrangeiro, elevando a entrada de moedas fortes;
- Fortalecimento da imagem do destino e segurança para atração de capital privado;
- Estímulo ao empreendedorismo local e novos modelos de negócios focados em sustentabilidade;
- Valorização da produção artesanal e gastronômica local;
- Geração de emprego e renda de forma pulverizada.
Para municípios de pequeno porte, o turismo funciona como um distribuidor de renda eficiente, beneficiando hotéis, pousadas, restaurantes, guias, artesãos, agricultores familiares e comerciantes na base da pirâmide econômica.
Turismo como motor de desenvolvimento regional no Brasil
Segundo dados do Ministério do Turismo, segmentos como ecoturismo, turismo rural e turismo de natureza estão entre os que mais crescem no país, impulsionados pela busca por experiências sustentáveis e pelo contato com áreas naturais.
Na avaliação do Ministério, a seleção reforça o potencial do turismo rural brasileiro como instrumento de inclusão social e desenvolvimento regional. O turismo de natureza atua hoje como um dos maiores indutores de desenvolvimento regional e inserção de comunidades locais no mercado produtivo.


