Uma em cada quatro apostadores no Brasil já deixou alguma conta sem pagar para usar o dinheiro em jogos on-line, e 24% tiveram o nome negativado por causa das apostas. Os dados são de um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que mostra como os gastos com plataformas de apostas podem afetar o orçamento doméstico e o pagamento de despesas básicas.

A pesquisa também aponta que 23% dos apostadores já gastaram quantias que comprometeram a renda ou o bem-estar financeiro, enquanto 43% abriram mão de algum consumo do dia a dia para direcionar dinheiro aos jogos.
Apostas comprometem o pagamento de contas
O levantamento mostra que o dinheiro destinado às apostas pode disputar espaço com despesas essenciais e outros gastos do cotidiano. Quando uma conta fica sem pagamento, o consumidor pode acumular juros e multas, além de enfrentar restrições de crédito, que dificultam a contratação de empréstimos, o parcelamento de compras e a obtenção de cartões.
Entre os apostadores que tiveram o nome negativado por causa dos jogos, 13% afirmam que já regularizaram a situação, enquanto 11% continuam com restrições. Ter o nome negativado significa que uma dívida em atraso foi registrada em cadastros de inadimplência, o que pode dificultar o acesso a serviços financeiros.
Esse cenário pode criar um efeito dominó no orçamento: o dinheiro usado para apostar deixa de estar disponível para outras despesas, e o atraso nos pagamentos pode aumentar o valor devido. Com menos recursos para quitar as contas, o consumidor pode enfrentar dificuldades para manter as despesas em dia.
Gasto médio mensal aumentou em 2026
A frequência com que os brasileiros acessam as plataformas também chama a atenção. Segundo a pesquisa, 62% dos apostadores jogam pelo menos uma vez por semana.
O gasto médio mensal com apostas passou de R$ 187, em 2025, para R$ 213 em 2026, uma alta de aproximadamente 14%. Embora seja uma média, o valor ajuda a dimensionar quanto dinheiro os jogos podem representar no orçamento ao longo do mês.
Além dos gastos diretos, a pesquisa mostra que parte dos consumidores reduz outras despesas para continuar apostando. Entre os entrevistados, 43% disseram ter aberto mão de algum consumo cotidiano para direcionar recursos às plataformas, enquanto 23% relataram já ter apostado valores que prejudicaram a renda ou o bem-estar financeiro.
Medida provisória sobre apostas chegou ao STF
No fim de setembro, o governo federal publicou uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas on-line no Brasil. A medida foi questionada em ações que chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por analisar os processos. A medida provisória é um instrumento utilizado pelo governo federal para


