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Por que o dólar está caindo? Brasil registra maior entrada de recursos em oito anos

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O Brasil recebeu um volume de dólares muito maior do que enviou ao exterior no primeiro semestre de 2026. Segundo dados do Banco Central, o saldo positivo foi de US$ 17,78 bilhões, cerca de R$ 91 bilhões, o melhor resultado para o período desde 2018.

Quando mais dólares entram do que saem do país, aumenta a oferta da moeda americana. Com isso, o preço do dólar tende a cair, o que pode ajudar a reduzir custos de produtos importados e aliviar parte da pressão sobre a inflação. O resultado representa uma mudança em relação ao ano passado.

Brasil registra maior entrada de dólares em oito anos
No primeiro semestre de 2025, o país registrou uma saída líquida de US$ 14,34 bilhões, o pior desempenho da série histórica do Banco Central para esse período | Foto: Reprodução / Canva

O que fez mais dólares entrarem no Brasil?

Dois fatores tiveram peso nesse resultado. Um deles foi o aumento das exportações, favorecido pela alta do preço do petróleo no mercado internacional. Quando empresas brasileiras vendem mais produtos para outros países, mais dólares entram na economia.

Outro motivo foi o aumento dos investimentos estrangeiros no Brasil. Com a queda dos juros nos Estados Unidos e as incertezas envolvendo o governo de Donald Trump, parte dos investidores decidiu aplicar recursos em países emergentes, como o Brasil.

Esse cenário ajudou a fortalecer o real, já que, em 2026, o dólar acumula queda de cerca de 6% frente à moeda brasileira e está cotado em torno de R$ 5,12.

Ao mesmo tempo, a Bolsa de Valores também foi beneficiada pelo maior interesse dos investidores. O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, sobe 5,9% no ano e alcança a marca de 172 mil pontos.

Cenário pode mudar no segundo semestre

Apesar do desempenho positivo nos primeiros seis meses do ano, os próximos meses podem apresentar um cenário diferente. Em junho, por exemplo, o segmento financeiro voltou a registrar saída de recursos do país, segundo relatório do Itaú BBA. O banco afirma que o movimento ocorreu em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, após o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Além do cenário internacional, a expectativa de que os juros nos Estados Unidos e a taxa Selic no Brasil caiam menos do que o esperado também pode reduzir a entrada de recursos no país. Outro fator que tende a aumentar a cautela dos investidores é a aproximação das eleições presidenciais brasileiras.

Diante desse cenário, algumas instituições financeiras revisaram suas projeções para o dólar. O Itaú BBA passou a estimar a moeda americana em R$ 5,30 no fim de 2026, acima da previsão anterior de R$ 5,15. Já o BTG Pactual elevou sua expectativa de R$ 4,90 para R$ 5,40.

Embora o primeiro semestre tenha sido marcado por uma forte entrada de dólares e pela queda da moeda americana, o comportamento do câmbio nos próximos meses continuará dependendo do cenário econômico e político, tanto no Brasil quanto no exterior.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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