A economia do Brasil voltou a avançar em maio. Dados divulgados nesta segunda-feira, 20 de julho, pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram alta de 0,7% na atividade econômica em relação a abril. Apesar da recuperação, especialistas alertam que o ritmo de expansão perdeu força nos últimos meses, cenário que pode refletir no mercado de trabalho, nos investimentos e na renda das famílias.
As informações fazem parte do Monitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV). O levantamento reúne dados da indústria, do comércio, dos serviços e da agropecuária para acompanhar o desempenho da atividade econômica antes da divulgação oficial do Produto Interno Bruto (PIB), feita pelo IBGE.

O que é o PIB?
O Produto Interno Bruto (PIB) mede toda a riqueza produzida no país por meio de bens e serviços. Esse indicador é usado para avaliar se a economia está crescendo ou encolhendo.
Quando há expansão da atividade econômica, empresas costumam vender mais, investir na produção e contratar funcionários. Já quando o ritmo diminui, cresce a preocupação com empregos, renda e novos investimentos.
Por isso, o PIB é considerado um dos principais indicadores da situação econômica do país.
Consumo das famílias sustentou o avanço
O principal motor do resultado de maio foi o consumo das famílias. No trimestre encerrado em maio, os gastos dos brasileiros cresceram 3,3%, o melhor desempenho desde o fim de 2024. Mais de 60% desse avanço veio do setor de serviços e da compra de bens duráveis, como eletrodomésticos, móveis e eletrônicos.
Na prática, isso significa que mais pessoas voltaram a consumir, movimentando lojas, restaurantes, transportes e outros segmentos da economia.
Esse comportamento beneficia principalmente o comércio e os serviços, setores que concentram boa parte dos empregos no país.
Crescimento ainda preocupa especialistas
Mesmo com o resultado positivo, a FGV avalia que existem sinais de perda de ritmo. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada ficou em 1,7%. Para comparação, em março esse percentual era de 3% e, um ano atrás, chegava a 3,8%.
Mas o cenário ainda apresenta pontos de atenção, como a recuperação da agropecuária, que acontece após meses de queda, enquanto a indústria praticamente ficou parada. Apenas o setor de serviços manteve um desempenho acima da média.
Além disso, boa parte da expansão depende do consumo das famílias, enquanto investimentos e exportações perderam força.
Exportações desaceleram
As vendas de produtos brasileiros para outros países cresceram 4,3%, o menor resultado desde o segundo trimestre de 2025. De acordo com a FGV, essa desaceleração ocorreu principalmente por causa do desempenho mais fraco da indústria extrativa mineral, responsável pela exportação de produtos como minério de ferro.
Ao mesmo tempo, as importações aumentaram 8,9%, registrando o terceiro período consecutivo de crescimento. Já os investimentos das empresas, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), avançaram 2%. O indicador considera gastos com máquinas, equipamentos e obras, essenciais para ampliar a capacidade de produção no futuro.
Como isso pode afetar o seu bolso?
Os números divulgados pela FGV ajudam a entender o cenário econômico do país, mas o reflexo mais importante acontece no dia a dia da população. Quando empresas produzem mais e as vendas aumentam, cresce a chance de abertura de vagas de emprego e de melhora na renda.
Por outro lado, se a atividade perde fôlego, empresários costumam adiar investimentos e contratar menos trabalhadores, o que pode reduzir o ritmo da economia nos meses seguintes.
Veja como foi o desempenho da economia em 2026
O comportamento da atividade econômica neste ano foi marcado por oscilações:
- Janeiro: 0,7%
- Fevereiro: 0,5%
- Março: 0%
- Abril: -0,1%
- Maio: 0,7%
A alta registrada em maio representa uma retomada depois de dois meses de resultados mais fracos.


