O governo federal anunciou nesta quarta-feira, 22 de julho, o Brasil Soberano 3, nova etapa do programa criado para apoiar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelos impactos da guerra no Oriente Médio. A iniciativa prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para ajudar empresas a manter a produção, preservar empregos e reduzir os prejuízos causados pelo cenário internacional.

As conversas tiveram como objetivo ouvir as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas e discutir medidas para diminuir os impactos sobre as exportações brasileiras.
Dos recursos anunciados, R$ 13,5 bilhões virão de valores que não foram utilizados no Brasil Soberano 1 e de renegociações de dívidas rurais. Outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Durante a cerimônia, também participaram ministros da área econômica e o vice-presidente Geraldo Alckmin, que destacou que o programa busca fortalecer a economia brasileira diante do cenário internacional.
Crédito para empresas e novo seguro para pequenos negócios
Segundo Alckmin, o Brasil Soberano 3 não oferecerá apenas crédito para empresas prejudicadas pelas tarifas dos Estados Unidos. O programa também cria um seguro-garantia para micro e pequenas empresas, facilitando o acesso ao financiamento.
“O Brasil Soberano 3 é um grande instrumento para a gente fortalecer a economia”, afirmou o vice-presidente.
Os recursos serão destinados a empresas exportadoras e fornecedores que sofreram impactos diretos das novas tarifas ou das dificuldades provocadas pela guerra no Oriente Médio.
Entre os setores que poderão solicitar o financiamento estão:
- Aço;
- Alumínio;
- Indústria automotiva;
- Madeira;
- Máquinas e equipamentos;
- Fertilizantes;
- Indústria farmacêutica;
- Setor têxtil;
- Minerais críticos, usados na produção de baterias, veículos elétricos e eletrônicos;
- Empresas que exportam para países do Golfo Pérsico.
O governo informou que as empresas beneficiadas deverão cumprir algumas condições, como manter pelo menos parte dos empregos durante o período de apoio financeiro.
Programa amplia ações iniciadas no ano passado
O Brasil Soberano foi criado em 2025 para oferecer apoio financeiro às empresas brasileiras prejudicadas pelo primeiro aumento das tarifas americanas. Agora, além do lançamento do Brasil Soberano 3, o presidente Lula sancionou a lei que libera R$ 15 bilhões para o Brasil Soberano 2, ampliando as medidas já existentes.
Essa segunda etapa teve origem na Medida Provisória nº 1.345/2025, editada em março deste ano. O objetivo foi reduzir os efeitos provocados por crises internacionais, incluindo o tarifaço dos Estados Unidos e os impactos da guerra no Oriente Médio.
Na ocasião, foram destinados R$ 15 bilhões para empresas exportadoras de produtos industriais, seus fornecedores e setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.
Governo aposta em novos mercados e mantém negociações
Mesmo com a entrada em vigor da tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, o governo afirma que continuará negociando com os Estados Unidos. Segundo integrantes da equipe econômica e da diplomacia, o Brasil apresentou propostas para responder aos questionamentos feitos pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), mas não recebeu resposta.
Ainda assim, a orientação do presidente Lula é manter o diálogo e buscar uma solução por meio da negociação.
Durante o evento, Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil reagiu rapidamente para reduzir os efeitos das tarifas e destacou a estratégia de ampliar as exportações para outros mercados. O vice-presidente citou os acordos comerciais entre o Mercosul, a União Europeia (UE) e a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) como parte desse esforço.
Segundo ele, somente o acordo entre Mercosul e União Europeia aumentou em US$ 2 bilhões as exportações brasileiras nos últimos 60 dias.
Governo evita retaliação neste momento
Apesar das novas tarifas americanas, o governo afirma que não pretende adotar medidas de retaliação neste momento. A prioridade continua sendo manter as negociações e apoiar as empresas brasileiras afetadas pelas mudanças no comércio internacional.
Representantes do setor produtivo também defendem que o Brasil continue buscando uma solução por meio do diálogo, evitando novas barreiras comerciais que possam atingir empresas, trabalhadores e consumidores.
Segundo o governo, outras medidas de apoio continuam sendo estudadas e poderão ser anunciadas caso os setores mais afetados enfrentem novas dificuldades nos próximos meses.


