As dívidas estão pesando cada vez mais no orçamento dos brasileiros. Dados divulgados pelo Banco Central (BC) mostram que, em maio, 28,5% da renda das famílias foi comprometida com o pagamento de parcelas de empréstimos e financiamentos, o maior percentual desde o início da série histórica, em março de 2011.
Isso significa que, de cada R$ 100 recebidos por uma família, cerca de R$ 28 já estão reservados para quitar dívidas. Quanto maior esse comprometimento, menor é o dinheiro disponível para despesas do dia a dia, como alimentação, transporte, contas da casa e medicamentos.

Em abril, o percentual era de 28,4%. Antes disso, havia ocorrido uma pequena queda entre fevereiro e março, mas o avanço voltou a ganhar força nos meses seguintes.
Os dados reforçam um cenário que preocupa milhões de brasileiros, especialmente quem já enfrenta dificuldades para equilibrar o orçamento e precisa recorrer ao crédito para pagar despesas básicas.
Quase metade das famílias brasileiras está endividada
Além do aumento no peso das parcelas no orçamento, 49,8% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida em maio, segundo o Banco Central. Embora esse percentual tenha ficado levemente abaixo do registrado em abril, a comparação com o ano passado mostra uma piora. Em 12 meses, o número de famílias endividadas aumentou 0,9 ponto percentual.
O comprometimento da renda também continuou crescendo quando são desconsiderados os financiamentos imobiliários. Nesse caso, o índice chegou a 26,2%, também o maior resultado desde o início da série histórica. Em relação ao mesmo período do ano passado, a alta foi de 1,2 ponto percentual.
Esses números indicam que o aumento das dívidas não está ligado apenas à compra da casa própria. Em muitos casos, o orçamento é pressionado por empréstimos pessoais, uso do cartão de crédito, cheque especial e outras modalidades de crédito.
Quando uma parte cada vez maior da renda é destinada ao pagamento dessas contas, sobra menos dinheiro para despesas essenciais, o que pode levar muitas famílias a recorrerem a novos empréstimos e aumentar ainda mais o endividamento.
Novo Desenrola tenta reduzir o número de brasileiros endividados
Para tentar aliviar esse cenário, o governo federal lançou uma nova edição do programa Desenrola, voltada à renegociação de dívidas bancárias. A iniciativa permite renegociar débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratados até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso há mais de 90 dias.
Segundo o governo, o programa já movimentou R$ 22 bilhões em renegociações até o dia 23 de julho. O prazo para aderir foi prorrogado e agora vai até 31 de agosto. A expectativa é que mais consumidores consigam reorganizar as finanças e reduzir o peso das dívidas no orçamento mensal.
Primeira edição ajudou milhões de pessoas, mas endividamento continuou crescendo
O Desenrola já havia sido colocado em prática entre 2023 e 2024. Na primeira edição, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram dívidas que somaram R$ 53 bilhões. Na época, o governo destinou R$ 1,7 bilhão em garantias para viabilizar os acordos entre consumidores e instituições financeiras.
Apesar do alcance da iniciativa, os indicadores do Banco Central mostram que o endividamento das famílias continuou aumentando nos anos seguintes. O novo programa foi criado justamente para ampliar as renegociações e oferecer mais uma oportunidade para quem ainda enfrenta dificuldades para colocar as contas em dia.
É recomendado que antes de contratar um novo empréstimo, o consumidor avalie se a parcela cabe no orçamento. Também é importante priorizar o pagamento das dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial, já que elas costumam crescer rapidamente quando ficam em atraso.


