Desde as 9h da manhã, uma fila que dava voltas ao redor da Praça Mauá anunciava o tom do primeiro dia da Rio Innovation Week (RIW): alto alcance de público, majoritariamente jovem, que não arredou o pé mesmo com o calor no Rio para entrar na sexta edição do evento, realizada de 4 a 7 de agosto no Píer Mauá, com expectativa de reunir 180 mil pessoas ao longo dos quatro dias de programação.
Com o tema “Simbiose: o futuro não acontece isolado”, a proposta da edição este ano é discutir como diferentes áreas do conhecimento podem e precisam dialogar diante dos desafios atuais. E não é surpresa que, já na abertura, a inteligência artificial tenha dominado boa parte das mesas e palcos espalhados pelo complexo.

Um line-up de peso
Entre os destaques da programação, a ativista Malala Yousafzai discutiu os impactos da inteligência artificial na educação e na sociedade. Ao lado da repórter e apresentadora Lillian Ribeiro, ela chamou atenção para a falta de representatividade no desenvolvimento dessas tecnologias e afirmou que mulheres, meninas e comunidades sub-representadas ainda não são consideradas de forma adequada.
Malala não estava sozinha na lista de atrações do primeiro dia. Passaram pelos palcos da Rio Innovation Week o físico e divulgador científico Marcelo Gleiser, a atriz e empresária Deborah Secco, os escritores Djamila Ribeiro e Ailton Krenak, além do cantor Jota Pê, combinação que reforça o caráter multidisciplinar da organização, unindo ciência, política, literatura e música em um mesmo espaço.
IA no mercado financeiro: produtividade e o “novo” profissional
No Armazém 5, o palco 21B recebeu o painel “IA – Inovação no Segmento Financeiro: Escala, Produtividade, Transformação, Cultura e Resultados Reais”, com Matilde Freitas, diretora do banco BNY, Deric Ferreira, CEO da BDM, e Demétrius Alves, da Phill Tecnologia. Segundo Matilde, a IA já desempenha sozinha funções que antes eram exclusivamente humanas nos bancos e vem se tornando predominante em áreas antes dominadas por equipes inteiras de profissionais.
Arena Rio e o poder público
Na Arena Rio, um dos destaques foi o painel sobre IA aplicada a desafios públicos, que discutiu o caso do Claude Impact Lab em parceria com a Prefeitura do Rio, como exemplo de como a inteligência artificial vem sendo testada para melhorar a gestão e os serviços oferecidos à população carioca em diversos eixos.

No ambiente Deep Tech, figuras como Jorge Bittar, assessor da Finep, trouxeram perspectivas sobre as políticas públicas e infraestruturas pelo Brasil, refletindo sobre programas para tornar o país um grande exportador de tecnologia e entrar na cadeia global de inovação.
Mobilidade também entra na conversa
Fora do eixo da inteligência artificial, a mobilidade urbana ganhou seu próprio espaço de destaque. Sérgio Avelleda, ex-secretário municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo, discutiu o papel da integração entre modais de transporte para aumentar a adesão ao transporte público e como os novos contratos entre empresas e governos vêm passando a considerar também a qualidade dos serviços prestados — e não apenas custo e cobertura.


