O Brasil teve um primeiro semestre recorde nas exportações de carne bovina, mas o cenário para os próximos meses ficou mais difícil. Além das novas tarifas dos Estados Unidos, China e União Europeia criaram obstáculos para a entrada da carne brasileira em seus mercados.
Entre janeiro e junho, o país vendeu quase US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51 bilhões) em carne bovina para o exterior, um crescimento de 33% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi o melhor da história para os primeiros seis meses de um ano.

A China, principal compradora da carne brasileira, passou a cobrar uma tarifa de 55% depois que terminou a cota de importação criada pelo país para proteger sua produção interna.
China cria barreira para principal comprador
Quase metade da carne bovina exportada pelo Brasil no primeiro semestre teve a China como destino. Por isso, qualquer mudança nas regras do mercado chinês pode ter um impacto grande nas vendas brasileiras.
A nova tarifa funciona como um imposto cobrado sobre a carne que entra no país. Com a cobrança de 55%, o produto brasileiro fica mais caro para os compradores chineses, o que pode reduzir a procura.
A medida foi tomada depois que a cota de importação de carne criada pela China chegou ao fim. O país estabeleceu um limite para a quantidade de carne estrangeira que pode entrar sem a cobrança da tarifa adicional, como forma de proteger os produtores locais.
Para o Brasil, o problema está no tamanho desse mercado. Embora o país tenha ampliado suas vendas para outros destinos, nenhum deles tem, até agora, o mesmo peso da China.
União Europeia também suspende compras
Outra dificuldade veio da União Europeia. Pouco depois da assinatura do acordo entre o bloco e o Mercosul, os europeus decidiram suspender a importação de carnes e outros produtos de origem animal brasileiros.
Segundo a União Europeia, o Brasil não entregou os documentos necessários para comprovar que os produtos estavam livres de antimicrobianos. Esses medicamentos são usados para tratar e prevenir infecções e, em algumas situações, também podem ser utilizados para estimular o crescimento dos animais.
A suspensão está prevista para começar em 3 de setembro e o governo brasileiro ainda tenta reverter a decisão. As perdas para o país podem chegar a US$ 2,4 bilhões por ano (cerca de R$ 12,2 bilhões), de acordo com as informações apresentadas pelo setor.
O impacto já começa a aparecer entre os frigoríficos. Segundo a associação do segmento, algumas empresas reduziram o número de animais abatidos e chegaram a conceder férias coletivas para ajustar a produção à queda esperada na demanda.
No campo, os produtores também acompanham a situação de perto, já que uma redução nas compras dos grandes mercados pode afetar toda a cadeia da carne.
Brasil tenta encontrar novos compradores
Uma das estratégias para enfrentar as barreiras é buscar mais mercados para a carne brasileira. No primeiro semestre, o país aumentou as exportações para 118 países. Essa diversificação ajuda a reduzir a dependência de poucos compradores, mas encontrar novos destinos não resolve imediatamente o problema. Os mercados menores não conseguem substituir com facilidade o volume comprado pela China.
Nesse cenário, os Estados Unidos ganharam ainda mais importância. O país é o segundo maior mercado para a carne brasileira e aumentou as compras em quase 15% no primeiro semestre.
Os americanos também isentaram a carne brasileira do novo tarifaço. Com as dificuldades enfrentadas nos mercados chinês e europeu, os Estados Unidos podem se tornar um dos principais destinos para o produto brasileiro no segundo semestre.
O resultado é um cenário diferente entre os dois períodos do ano. Depois de registrar vendas recordes nos primeiros seis meses, o Brasil entra na segunda metade de 2026 com seus principais compradores impondo novas condições para a entrada da carne nacional.


