O preço do café moído acumulou queda de 17,2% nos 12 meses até julho de 2026 no Brasil, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta terça-feira, 11 de agosto, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A redução é a maior registrada desde o início do Plano Real, quando a atual moeda brasileira começou a circular, em julho de 1994.
Apesar do recuo, o alívio ainda não compensou toda a alta registrada pelo produto nos últimos anos. Em 2024 e 2025, o café ficou mais caro, principalmente por causa de problemas na produção provocados pelo clima. Em maio de 2025, o preço acumulava alta de 82,24% em 12 meses. Para se ter uma comparação, o quilo do café passou de R$65,29 em janeiro para R$53,20 em julho. A tendência é que ovalor produto continue caindo nos próximos meses.
Um dos motivos para esta mudança é a melhora nas condições da safra, que tem aumentado a oferta de café no mercado e ajudado a pressionar os preços para baixo.

Por que o café moído ficou mais barato?
Em junho, o IBGE estimou que a produção brasileira de café, considerando as variedades arábica e canéfora, chegará a quase 4 milhões de toneladas neste ano. A previsão representa um aumento de 14,7% em relação à produção de 2025.
Com uma safra maior, há mais café disponível para venda. Quando a oferta aumenta, a pressão sobre os preços tende a diminuir, o que pode chegar aos supermercados e ao bolso dos consumidores.
A queda registrada em julho está relacionada à safra e não pode ser atribuída ao tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A cobrança de 50% para parte das mercadorias brasileiras que entram no país começou apenas em 6 de agosto.
A colheita já estava começando no mês de julho, o que aumentou a quantidade de café disponível no mercado. Esse movimento ajuda a explicar a redução observada no preço do produto.
O cenário também pode ser influenciado pelas mudanças nas exportações brasileiras. Com as tarifas americanas, existe a possibilidade de parte do café que seria vendido aos Estados Unidos procurar outros mercados. Caso os produtores tenham dificuldade para encontrar compradores, uma oferta maior dentro do Brasil pode aumentar a pressão pela redução dos preços. Com a produção favorável, tendência é que os preços sigam pressionados para baixo nos próximos meses, trazendo alívio aos consumidores.
Clima ainda traz preocupação
Mesmo com a melhora da produção, o clima continua sendo um ponto de atenção para os próximos meses. A chegada do El Niño pode alterar a distribuição das chuvas em diferentes regiões do país e criar novas dificuldades para o campo.
O fenômeno climático pode afetar a produção agrícola e, dependendo da intensidade dos efeitos sobre as lavouras, mudar novamente a quantidade de café disponível no mercado.
A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) aponta que a forte alta registrada nos 18 meses anteriores a julho foi influenciada por problemas climáticos que prejudicaram a produção e também pelo aumento da procura mundial pela bebida.
A maior demanda internacional também teve participação nesse movimento. Entre os países que passaram a consumir mais café está a China, que aumentou a procura pelo produto nos últimos anos.
Por enquanto, a combinação entre uma safra maior e maior oferta ajuda a explicar o recuo observado em julho. Para quem compra café todos os meses, a queda representa um primeiro sinal de alívio depois de um longo período de aumentos.


