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Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2% e atingem menor nível em 3 anos

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As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões (cerca de R$ 108,4 bilhões) entre janeiro e julho de 2026, uma queda de 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) a menos em vendas e levou os embarques para o mercado americano ao menor nível para o período em três anos.

Os dados são do Monitor do Comércio Brasil Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), com base em informações do Comexstat. O resultado também mostra que as vendas brasileiras para os Estados Unidos tiveram desempenho pior do que as exportações para outros mercados.

Enquanto os embarques para os Estados Unidos diminuíram 12,2% nos sete primeiros meses do ano, as exportações totais do Brasil cresceram 10,5% no mesmo período.

Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2% até julho
Mesmo com a retração, os Estados Unidos continuam como o segundo principal destino dos produtos brasileiros, atrás apenas da China | Foto: Reprodução / Canva

Produtos mais taxados têm queda maior

Entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos, a queda foi ainda mais forte. As exportações desse grupo recuaram 31,5% entre janeiro e julho, passando de US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 23,7 bilhões) para US$ 3,2 bilhões (cerca de R$ 16,5 bilhões).

As maiores reduções foram registradas em produtos como madeira de coníferas, sebo bovino, ovino ou caprino, granitos trabalhados, fumo não manufaturado e portas e caixilhos. A madeira de coníferas teve a queda mais acentuada, de 59,4% nas vendas para o mercado americano.

Também houve redução de 42,5% nas exportações de sebo bovino, ovino ou caprino, de 42,1% nos granitos trabalhados, de 37,7% no fumo não manufaturado e de 35,3% nas portas e caixilhos.

As sobretaxas são tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros. Entre os itens mais atingidos estão produtos que passaram a enfrentar taxas de 25% a 37,5%, enquanto outros estão sujeitos a uma sobretaxa de 12,5%.

Há ainda produtos enquadrados na chamada Seção 232, uma regra americana relacionada à segurança nacional. Nessa categoria estão bens industriais e estratégicos, como aço, alumínio, transformadores e máquinas pesadas, que seguem regras específicas de acordo com o tipo e a composição de cada produto.

Exportações também recuaram em julho

Somente em julho, as vendas brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões (cerca de R$ 18,6 bilhões), uma queda de 5% na comparação com julho de 2025. O resultado interrompeu a recuperação registrada em junho, quando as exportações para o mercado americano cresceram pela primeira vez desde agosto do ano passado, período em que as tarifas mais elevadas começaram a ser aplicadas.

Entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, a retração em julho foi ainda maior, de 25,7%. Na direção contrária, as exportações de produtos alcançados pela Seção 232 cresceram 21,5%, impulsionadas principalmente pelas vendas de aço e alumínio.

Entre os dez principais produtos vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos, quatro tiveram queda nas exportações para o mercado americano mesmo com aumento das vendas para outros países. É o caso do petróleo bruto, que recuou 25,5%, dos semimanufaturados de ferro ou aço (-11,1%), do ferro-gusa (-7,9%) e da celulose (-5,3%).

Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2% até julho
No primeiro semestre, cinco dos dez principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos tiveram alta | Foto: Reprodução / Canva

Entre os destaques de produtos em alta estavam aeronaves, com crescimento de 32,9%, carne bovina (41%), óleos combustíveis (13,7%), equipamentos de engenharia (23,8%) e máquinas de energia elétrica (16%).

Indústria brasileira também sente a queda nas vendas

As exportações industriais brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 14,6 bilhões (cerca de R$ 75,4 bilhões) no primeiro semestre, uma redução de 8,7%. Foi a primeira queda das vendas industriais para o mercado americano no período desde 2020.

A retração ocorre em um cenário de tarifas mais elevadas e incertezas sobre a aplicação de novas sobretaxas. Entre os produtos sujeitos às maiores tarifas, cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos tiveram queda nas vendas no acumulado do ano, enquanto esses mesmos produtos registraram crescimento nas exportações para o restante do mundo.

O cenário ajuda a mostrar que a redução não ocorreu de forma geral nas vendas brasileiras para outros países. O desempenho dos produtos no mercado americano foi inferior ao registrado nas exportações para os demais destinos.

Brasil compra mais dos EUA do que vende

Enquanto as exportações brasileiras para os Estados Unidos diminuíram, as importações de produtos americanos também recuaram, mas em ritmo menor. Entre janeiro e julho, o Brasil comprou US$ 23,2 bilhões (cerca de R$ 119,7 bilhões) dos Estados Unidos, uma queda de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Com as vendas brasileiras em US$ 21 bilhões (cerca de R$ 108,4 bilhões) e as compras em US$ 23,2 bilhões (cerca de R$ 119,7 bilhões), o Brasil acumulou déficit de US$ 2,3 bilhões (cerca de R$ 11,9 bilhões) no comércio com os Estados Unidos nos primeiros sete meses do ano. O resultado representa aumento de 122,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em julho, as importações brasileiras de produtos americanos cresceram 0,6%, para US$ 4,3 bilhões (cerca de R$ 22,2 bilhões), depois de sete meses consecutivos de retração. Com isso, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões (cerca de R$ 3,3 bilhões) no comércio com os Estados Unidos naquele mês.

EUA perdem espaço nas exportações brasileiras

A queda nas vendas para os Estados Unidos também reduziu a participação do país no comércio exterior brasileiro. No primeiro semestre de 2026, os Estados Unidos responderam por 9,4% das exportações brasileiras, o menor percentual para o período desde 1997.

A participação americana na corrente de comércio do Brasil, que considera exportações e importações, também foi a menor registrada desde 1997, em 11,1%.

No primeiro semestre, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13% na comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da queda, houve uma interrupção temporária da sequência de retração em junho, quando as vendas cresceram 3,7% em valor após dez meses consecutivos de queda.

O cenário para o comércio entre os dois países continua incerto, diante da possibilidade de novas medidas tarifárias nos Estados Unidos e das investigações em andamento envolvendo o Brasil. As repercussões do conflito no Oriente Médio também podem afetar o comércio bilateral de petróleo e derivados.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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