A Häagen-Dazs deixará de ser distribuída no Brasil após 29 anos de presença no país. A decisão foi anunciada pela General Mills, dona da marca, como parte de uma reformulação dos negócios da empresa.

Essa saída acontece em um momento de crescimento do mercado de sorvetes no país. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (Abis), mais de 11 mil empresas atuam no setor e movimentam juntas mais de R$ 14 bilhões por ano.
Por que a Häagen-Dazs vai deixar o Brasil?
A decisão está ligada à estratégia da General Mills de reorganizar as marcas que mantém no país. Em março, a companhia anunciou a venda da Yoki e da Kitano para a 3corações por R$ 800 milhões.
Com a mudança, a empresa pretende concentrar esforços em categorias consideradas prioritárias. Entre elas estão sorvetes superpremium, comida mexicana, barras de snacks e alimentos para animais de estimação.
A General Mills afirmou que a reorganização busca melhorar a rentabilidade e dar mais foco aos negócios considerados estratégicos. A empresa, porém, não detalhou porque a Häagen-Dazs foi retirada da operação brasileira.
Marca chegou ao Brasil em 1997
Conhecida pelos sorvetes de preço mais elevado, a Häagen-Dazs começou a ser vendida no Brasil em 1997. A marca também chegou a manter lojas próprias, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.
As sorveterias foram fechadas em 2018 e, desde então, os produtos passaram a ser encontrados principalmente em supermercados, quiosques e lojas de postos de gasolina.
Apesar do nome, a Häagen-Dazs não é uma marca europeia. Ela foi criada nos Estados Unidos, em 1960, por Reuben Mattus. O nome também não tem origem dinamarquesa ou alemã. Mattus criou a expressão para dar à marca uma aparência europeia e associá-la a uma imagem de tradição e sofisticação.
Hoje, os produtos Häagen-Dazs são vendidos em mais de 90 países. A marca ainda possui lojas físicas em pelo menos 40 mercados.
Mercado de sorvetes segue forte no país
A saída da marca não ocorre por falta de espaço para sorvetes premium no Brasil. O setor reúne negócios de diferentes tamanhos e continua movimentando bilhões de reais. De acordo com a Abis, existem mais de 11 mil empresas ligadas à fabricação e à venda de sorvetes e gelatos no país. O faturamento anual supera R$ 14 bilhões.
Nesse mercado, a Häagen-Dazs ocupa uma faixa de preços mais alta, voltada principalmente aos consumidores que buscam produtos premium. A decisão da General Mills, portanto, está relacionada à estratégia da própria companhia, e não ao encerramento do mercado de sorvetes no país.
Quanto a General Mills movimenta?
No mundo, a General Mills é dona de marcas como Cheerios, Nature Valley, Betty Crocker e Häagen-Dazs. Em 2025, a empresa registrou US$ 19,4 bilhões em vendas líquidas, cerca de R$ 99,9 bilhões. O Brasil representou aproximadamente US$ 350 milhões desse resultado, equivalente a cerca de R$ 1,8 bilhão.
A decisão de retirar a Häagen-Dazs do país, portanto, faz parte de uma reestruturação maior da operação brasileira. Para os consumidores, a principal mudança será o fim da distribuição dos produtos da marca no mercado nacional, embora a General Mills ainda não tenha informado a data em que isso ocorrerá.


