IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Caso Master: entenda o que aconteceu até agora

Por

·

O caso envolvendo o Banco Master começou com investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras, mas ganhou uma nova dimensão em setembro de 2026 após a divulgação de documentos da Polícia Federal (PF) que citam conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A partir daí, o caso passou a envolver não apenas as apurações sobre o banco, mas também acusações e disputas dentro do próprio STF. Investigações relacionadas ainda alcançaram políticos, emendas parlamentares, o financiamento do filme Dark Horse e bens ligados a Vorcaro.

Caso Master: entenda o que aconteceu até agora
Para entender por que o caso chegou ao STF, é preciso voltar ao início da investigação | Foto: Reprodução / Agência Brasil

Como o Banco Master entrou no centro das investigações?

As apurações começaram a investigar suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Com o avanço das investigações, a Polícia Federal passou a reunir documentos, mensagens e outros dados para tentar esclarecer as relações entre os envolvidos.

Entre os materiais analisados estavam dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. Um relatório da PF identificou 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, período que terminou com a primeira prisão do banqueiro.

Segundo a PF, os dois se encontraram presencialmente oito vezes. O relatório afirma ainda que Vorcaro teria pedido ajuda ao ministro para conter apurações da PF e do Ministério Público Federal contra o Banco Master. Dois dias antes de ser preso, segundo o documento, o banqueiro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o país.

O relatório também afirma que Moraes participou da análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Essas informações foram colocadas sob análise e deram origem ao procedimento que passou a discutir se havia elementos para uma investigação contra Moraes.

O caso também chegou à política e ao filme Dark Horse

Enquanto as investigações sobre o Banco Master avançavam, outras frentes passaram a fazer parte do caso.

A PF apurou o suposto direcionamento de emendas parlamentares para entidades culturais e produtoras ligadas ao filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre as entidades citadas estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a Go Up Entertainment, da produtora Karina Ferreira da Gama.

As apurações também envolveram citações ao ex-deputado Mario Frias e ao senador Flávio Bolsonaro. Segundo a PF, Flávio teria sido interlocutor direto de uma cobrança de repasses de R$ 62,8 milhões a Vorcaro. O material também cita orientações do deputado Eduardo Bolsonaro sobre a gestão de recursos nos Estados Unidos e uma lista com nomes de parlamentares encontrada na churrasqueira do senador Ciro Nogueira.

Em outra frente, o ministro André Mendonça autorizou o bloqueio de R$ 1,7 bilhão em bens e ativos de bancos ligados a Vorcaro. Entre os bens estão obras de arte, imóveis e embarcações de luxo.

A divulgação dos documentos abriu uma disputa no STF

A divulgação dos relatórios da PF provocou uma disputa entre ministros do Supremo.

Alexandre de Moraes acusou André Mendonça, que era o relator das investigações do caso Master, de fazer um levantamento seletivo dos documentos. Segundo Moraes, Mendonça disponibilizou 15 procedimentos de forma parcial e deixou de incluir 180 peças e arquivos digitais.

Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que todo o material fosse liberado e que o procedimento sobre suas mensagens com Vorcaro fosse analisado junto com outro processo envolvendo acusações sobre a atuação de Mendonça nas operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”.

Mendonça negou ter feito uma seleção dos documentos. O ministro afirmou que os principais procedimentos relacionados às conversas de Moraes foram tornados públicos e que a manutenção do sigilo de alguns trechos buscava proteger investigações em andamento e dados pessoais, bancários e fiscais de terceiros.

A disputa aumentou a pressão sobre Fachin, que decidiu separar os processos. A sessão de 15 de setembro foi destinada exclusivamente ao procedimento que trata das mensagens entre Vorcaro e Moraes. Já as acusações relacionadas à conduta de Mendonça ficaram para 23 de setembro, porque esse processo ainda tinha prazos de instrução em aberto.

Por que o celular de Vorcaro virou peça central?

Outro ponto importante para entender o momento atual é a discussão sobre as provas. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral aos dados extraídos do celular de Vorcaro. Os ministros argumentaram que o STF não deveria tomar uma decisão com base apenas em resumos ou “sínteses parciais”.

Em 14 de setembro, a Polícia Federal entregou a esses ministros uma cópia integral dos dados do aparelho.

Ao mesmo tempo, Mendonça retirou o sigilo da PET 15645, procedimento que detalha a rede de pagamentos do Banco Master, após pedido de Moraes e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR havia defendido a anulação e o arquivamento do relatório da PF por questões formais. Segundo a posição apresentada, o documento teria sido produzido a pedido de Mendonça sem provocação do Ministério Público ou da própria PF e sem comunicação à Presidência do STF.

Uma das possibilidades discutidas era que o relatório fosse considerado nulo, mas que os dados fossem enviados a outro subprocurador-geral para avaliar se existiam elementos para uma investigação formal.

O que está em discussão agora?

O ponto central do procedimento envolvendo Moraes é saber se as mensagens reunidas pela PF justificam a abertura de uma investigação. Antes da análise do conteúdo, também estão em discussão questões sobre a validade do relatório, o acesso às provas e a participação dos próprios ministros no julgamento.

Na sessão desta terça-feira, 15 de setembro, o plenário do STF discutiu, pela primeira vez, a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte, mas os ministros não chegaram a decidir se deve ou não haver investigação contra Moraes.

Caso Master: entenda o que aconteceu até agora
Antes de entrar nesse ponto, o plenário discutiu se os casos de Moraes e Mendonça deveriam ser analisados juntos ou separadamente | Foto: Reprodução / Divulgação/ STF

O placar ficou em 4 a 3 pela análise separada:

  • Pela separação dos casos: Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.
  • Pela análise conjunta: Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.

Flávio Dino havia acompanhado a corrente que defendia a análise conjunta, mas pediu vista, garatindo mais tempo para analisar o processo antes de continuar a votação. O prazo é de até 90 dias corridos. Se Dino não apresentar sua posição dentro desse período, o processo é liberado automaticamente para voltar à pauta.

Por causa do pedido de vista, a sessão foi interrompida sem decisão sobre a abertura de investigação contra Moraes.

Dois ministros não participaram da votação:

Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de votar. Ele explicou que, por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não se sentia confortável em participar de um julgamento que poderia ter impacto nas eleições de 2026. O nome dele e de seu filho apareceu em diálogos encontrados no celular de Vorcaro.

Dias Toffoli declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo e disse que fez isso para preservar o STF. Ele permaneceu no plenário, mas não participou da votação.

Quais são as próximas fases?

Por enquanto, os dois casos continuam separados, seguindo a decisão de Fachin. O processo sobre Moraes foi suspenso pelo pedido de vista de Flávio Dino. Ainda não houve decisão sobre a abertura de investigação.

Já o processo envolvendo André Mendonça está previsto para ser analisado em 23 de setembro, mas Fachin ainda pode decidir manter ou adiar a sessão.

Assim, o caso Master chegou a um ponto em que três questões estão no centro da disputa: o que os dados do celular de Vorcaro mostram, se o relatório da PF pode ser usado no processo e como o STF deve analisar as acusações envolvendo seus próprios ministros.

Enquanto essas questões não são resolvidas, as investigações sobre o Banco Master e seus diferentes desdobramentos continuam no centro do caso.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade