O audiovisual brasileiro foi ao RioMarket 2026 conversar sobre distribuição, financiamento e coprodução, e o TikTok apareceu na pauta como parte da discussão sobre como o público descobre filmes e séries.
Na mesa “A indústria no TikTok: onde os fãs viram parte da história”, do RioSeminars, Ynaê Saldanha, gerente sênior de Parcerias do TikTok para a América Latina, apresentou números da plataforma e deixou um recado ao mercado: a promoção de uma obra “vai muito além do dia da estreia”.

RioMarket debate um mercado de 134 milhões de usuários
O TikTok tem, atualmente, 134 milhões de usuários no Brasil, dos quais 34 milhões são criadores de conteúdo, e mais de 1 bilhão no mundo. A cada minuto, 66 mil vídeos são publicados.
A executiva fez questão de posicionar a empresa fora da categoria de rede social. “Nós somos uma plataforma de conteúdo, muito mais do que uma rede social”, afirmou Saldanha. Segundo ela, é por isso que a principal métrica de sucesso no TikTok não é a curtida: “A nossa métrica principal é a visualização”, com crescimento de cerca de 57% ao ano nas visualizações da categoria de TV e cinema.
Os dados sobre o comportamento do público dão base ao argumento. Na apresentação feita durante o seminário, 80% dos usuários interagem com seus filmes e séries favoritos, 68% assistem a conteúdo criado por outros fãs e 29% descobrem um filme ou série novo na plataforma. Nos últimos seis meses, foram publicados mais de 10 milhões de posts por dia sobre filmes e séries no mundo, categoria que, segundo Ynaê, inclui também streaming e novelas.
Para ela, o algoritmo é o motor da descoberta. “No TikTok é muito mais facilitado você descobrir, pelo algoritmo, novos filmes, novas séries, a partir do seu gosto”, disse. A lógica, segundo ela, muda o papel do público: “As pessoas deixam de ser só espectadores, mas passam a ser também criadores, comunicadores e potencializadores daquele título.”
Lançamento começa na pré-produção
A parte mais prática da fala foi dirigida a produtoras, distribuidoras e exibidores presentes no RioMarket. Ynaê disse que o mercado costuma tratar a divulgação como algo que começa perto da estreia e que isso desperdiça oportunidades. “Pensar em lançamento, pensar em promoção, pensar em divulgação vai muito além do dia da estreia”, afirmou.
A especialista citou como exemplo uma parceira do mercado que pensou a campanha com antecedência e gravou uma série de conteúdos com o elenco enquanto os atores estavam disponíveis, para publicar em uma conta dedicada. A recomendação foi aproximar o TikTok desde cedo: “Se você faz isso desde antes, você cria um aquecimento para aquele lançamento”, o que evita chegar à semana da estreia tendo que “fazer um milagre”.
Cinema nacional e alcance internacional
Ynaê também defendeu que o alcance global da plataforma pode servir ao cinema brasileiro. Segundo ela, filmes e séries nacionais têm “a possibilidade de exportar a nossa cultura, o nosso idioma, os nossos trejeitos, os nossos atores”. Ela citou o sucesso internacional de Ainda Estou Aqui, que, nas palavras dela, “mostra muito do nosso potencial como um país”, e lembrou que a plataforma trabalha com legendas e conteúdos em diferentes idiomas.
Outro ponto foi o catálogo. Para a profissional, a plataforma ajuda a recolocar em circulação produções antigas que “se perdem no tempo”, feitas em uma época em que não existiam redes sociais e que podem voltar à conversa por afeto, seja pelo elenco, pelo diretor ou pela temática.


