À medida que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes, cidades estão adotando estratégias inovadoras para se tornarem mais resilientes — isto é, capazes de resistir, adaptar-se e se recuperar de efeitos como enchentes, ondas de calor e tempestades.
Confira o que algumas cidades ao redor do mundo vêm fazendo — e por que esses exemplos podem inspirar também cidades brasileiras:
1. Londres: defesa contra enchentes e infraestrutura verde
Após uma tempestade em julho de 2021 que despejou um mês de chuva em apenas duas horas, infundindo caos e prejuízos, a capital inglesa lançou um plano de R$ 14,6 bilhões, para fortalecer defesas contra água pluvial.

Entre os projetos está a criação de jardins de chuva e parques que absorvem água, além da cooperação entre boroughs (principais divisões administrativas da cidade de Nova York, cada um com seus próprios líderes eleitos e estruturas de governo), agências ambientais e operadoras de água. A meta: uso combinado de infraestrutura verde e planejamento integrado para proteger 320 mil propriedades expostas.
2. Mumbai: orçamento climático de mais de R$ 9 bilhões
A Brihanmumbai Municipal Corporation (BMC), em Mumbai, aumentou o orçamento climático para R$ 9,6 bilhões, representando 37,8% do total de capital estimado em R$ 25,4 bilhões em 2025–26.

Esse montante é direcionado a projetos como captação de água da chuva, estações de tratamento de esgoto, crematórios movidos a gás natural e energia solar em hospitais. Em 2024‑25, o progresso financeiro alcançou 86%, mostrando capacidade de execução.
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3. Kolkata: plano climático com estações locais e zonas limpas
Kolkata lançou seu Plano de Ação Climática com 60 medidas, sendo 30 prioritárias. Entre elas: estações meteorológicas por bairro, alertas antecipados, abrigos, zonas de ar limpo e conversão de favelas em áreas verdes.

O plano também inclui ações contra ondas de calor — criação de áreas sombreadas, uso de pavimentos refletivos e política de climatização em ambientes públicos (22–24 °C). Ciclovias e ruas sem carros também fazem parte, com implementação prevista até 2030.
4. Copenhagen: parques que armazenam chuva
Em Copenhagen, o Enghaveparken foi reprojetado para lidar com chuvas intensas. Novos parques e reservatórios subterrâneos evitam que o antigo sistema de esgoto de 1700 entre em colapso.

Essa “cidade esponja” é um modelo que permite infiltração de água, reduzindo riscos, com custo muito inferior ao de infraestrutura tradicional — e serve de exemplo para outros centros urbanos.
5. Singapura e “cidades jardim”
Singapura adota o conceito de “cidade-jardim”, investindo pesadamente em infraestrutura verde. Ela possui 180 km de parques, incentiva cobertura vegetal em fachadas e telhados, e investe em energia solar — passando de 203 MWp em 2018 para 350 MWp em 2020, com meta de 1 GWp.

O modelo prova que tradição urbana e natureza podem convergir, beneficiando o microclima e absorvendo água de chuva.
6. Soluções em transporte e calor: Paris e Roskilde
Paris implementou o Oasis Project, transformando pátios escolares em “ilhas de frescor” para combater o calor urbano.

Já em Roskilde, na Dinamarca, uma escola foi equipada com tecnologia LID: pavimentação permeável, jardins de chuva e reservatórios visíveis, que ainda servem como material pedagógico.

7. México: títulos verdes para financiar infraestrutura resiliente

A Cidade do México lançou seu primeiro green bond de 1 bilhão de pesos, cerca de R$ 250 milhões, seguido por outro de 2 bilhões de pesos, o que equivale a R$ 500 milhões, para financiar iluminação eficiente, transporte e melhorias hídricas. Esses títulos exemplificam como captar recursos do mercado sem pressionar o orçamento público diretamente.
8. Parceria global e financiamento
O City Resilience Program do Banco Mundial e GFDRR já mobilizou US$ 8 bilhões, equivalente a R$ 41 bilhões e ajudou mais de 350 cidades a identificar riscos e estruturar investimentos estratégicos, como US$ 260 milhões (R$ 1,35 bilhão) para contenção de inundação em Dar es Salaam.
A ONU estima que, até 2030, os prejuízos urbanos com desastres podem passar de US$ 314 bilhões (R$ 1,6 trilhão), assumindo câmbio de R$ 5,00/US$. Isso mostra que os custos de prevenção são muito menores que os do pós‑crise.


