A Arábia Saudita irá investir mais de US$ 800 bilhões, cerca de R$ 4,4 trilhões a R$ 4,8 trilhões na cotação de R$ 5,50 a R$ 6,00 por dólar, em projetos turísticos até 2030. Essa aposta ambiciosa integra a Visão 2030, que visa diversificar a economia além do petróleo e transformar o turismo em um motor econômico.
Em 2024, o país recebeu cerca de 116 milhões de turistas, entre viajantes internacionais e domésticos — um aumento de 6% em relação a 2023. Desses, cerca de 29,7 milhões foram turistas estrangeiros, alta de 8% ano a ano.
O gasto total com turismo alcançou SAR 284 bilhões (equivalente a US$ 75,7 bilhões ou cerca de R$ 417 bilhões a R$ 450 bilhões) em 2024, representando crescimento de 11% em relação ao ano anterior. O desembolso dos turistas estrangeiros foi de SAR 168,5 bilhões (US$ 44,9 bilhões), um crescimento de 19%. Já o turismo doméstico somou SAR 115,3 bilhões (US$ 30,7 bilhões).

Principais projetos da Arábia
Diriyah
Um dos megaprojetos centrais, Diriyah pretende se transformar na “Florença do deserto” com US$ 64 bilhões (aproximadamente R$ 352 bilhões) investidos na revitalização histórica de uma área patrimoniada pela Unesco em Riad. A previsão é de 27 milhões de visitantes até 2030, 42 hotéis de luxo, mais de 200 restaurantes, mil lojas e cerca de 30 mil moradores permanentes.
Leia também: Brasil sai do mapa da fome, diz ONU
The Red Sea Project e Amaala
Projetos litorâneos no Mar Vermelho desenvolvidos pela Red Sea Global incluem 50 hotéis com 8 000 quartos distribuídos em 22 ilhas, além de empreendimentos de alto padrão como Amaala — voltado ao turismo de bem-estar e saúde, com abertura prevista a partir de 2025 e áreas que somam mais de 4 200 km².
NEOM e Qiddiya
NEOM abriga iniciativas como a ilha de Sindalah e a “cidade linear” The Line. Qiddiya, próxima a Riad, será um polo de entretenimento com parque Six Flags, complexo esportivo e cultural orçado em US$ 9,8 bilhões e inaugurado a partir de 2026.
Soudah Peaks
Montanha turística na província de Asir com orçamento de US$ 7,7 bilhões (R$ 42 bilhões) e potencial para gerar US$ 7,8 bilhões ao PIB do país até 2033 com dois milhões de visitantes anuais.
Impactos socioeconômicos e metas
A estratégia visa elevar a participação do turismo no PIB de cerca de 3% em 2019 para 10% até 2030. São esperadas 1,6 milhão de vagas criadas no setor até o fim da década. Já foram emitidas milhares de licenças e aperfeiçoadas legislações que permitem estrangeiros adquirirem imóveis, antes restritos apenas a cidadãos locais.
A projeção de crescimento da receita do turismo para 2025 indica alta de 8% sobre os US$ 75,7 bilhões de 2024.
Desafios e obstáculos
O setor enfrenta críticas e incertezas. A instabilidade regional e tensões no Oriente Médio ameaçam cronogramas de projetos como NEOM e podem afetar cadeias produtivas. Há também controvérsias sobre direitos humanos, especialmente em relação ao tratamento de minorias e restrições políticas, que geram desconfiança entre turistas e investidores.
A ausência de álcool, conforme a legislação vigente, poderia ser barreira para alguns visitantes, mas pesquisas pós-visita indicam que esse fator não tem sido citado entre os principais motivos de insatisfação.
Comparativo de investimentos e visitantes
| Indicador | Valor em 2024 |
|---|---|
| Visitantes totais | 116 milhões (30 mi internacionais + 86,2 mi domésticos) |
| Gastos totais com turismo | US$ 75,7 bilhões / R$ 417 a 450 bilhões |
| Investimento previsto até 2030 | US$ 800 bilhões (R$ 4,4 a 4,8 trilhões) |
| Projetos principais | Diriyah, NEOM, Red Sea, Amaala, Qiddiya, Soudah Peaks |
Investimentos e transformações urbanas
O investimento em infraestrutura inclui aeroportos internacionais como o que opera no Mar Vermelho, expansão ferroviária e rodoviária e novas companhias aéreas domésticas, além de ações de marketing global para reposicionar a imagem do país como destino acolhedor e culturalmente rico.
Grandes redes hoteleiras como Marriott, Hilton, IHG, Accor, Hyatt, e marcas de luxo como Mandarin Oriental, Rosewood e Aman já anunciaram ou operam projetos no reino, consolidando uma oferta diversificada entre resorts extravagantes e hotéis econômicos. Até a rede Wyndham planeja abrir 100 hotéis de nível econômico, como Super 8, para atender ao turista religioso e de negócios que busca opções acessíveis.
Com crescimento acelerado, investimentos monumentais e foco em turismo de luxo e sustentabilidade, a Arábia Saudita avança como protagonista global no setor, apoiada por megaprojetos e metas claras de atração de visitantes, geração de emprego e reconstrução de sua imagem internacional.


