IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Lisboa aposta em novo sistema de coleta seletiva

Por

·

Lisboa está implementando um novo sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos, sob coordenação do Ministério do Ambiente e da Ação Climática de Portugal. A proposta organiza a coleta em dias específicos, de acordo com o tipo de material, e tem como objetivo aumentar a taxa de reciclagem e reduzir o volume destinado a aterros sanitários.

A medida está alinhada à política europeia de economia circular, que busca prolongar o ciclo de vida dos produtos, reduzir desperdícios e reaproveitar recursos. Segundo a Comissão Europeia, a meta é reduzir para 10% a quantidade de resíduos urbanos enviados a aterros até 2035.

Novo modelo de coleta seletiva em Lisboa busca aumentar a reciclagem e reduzir resíduos destinados a aterros, alinhando-se às metas da União Europeia | Foto: Reprodução/Canva
Novo modelo de coleta seletiva em Lisboa busca aumentar a reciclagem e reduzir resíduos destinados a aterros, alinhando-se às metas da União Europeia | Foto: Reprodução/Canva

Situação atual da reciclagem em Portugal

De acordo com dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o país recicla cerca de 29% dos resíduos urbanos (2022), número abaixo da média da União Europeia, que ultrapassa 47%. Em contrapartida, o encaminhamento para aterros ainda é elevado, representando 44% do total coletado.

Esses números revelam a necessidade de medidas adicionais para acelerar o cumprimento das metas ambientais. A capital, que concentra a maior produção de resíduos per capita, é vista como laboratório para novos modelos de coleta.

Leia também: A ilusão da conectividade: como a comunicação instantânea enfraquece nossas conexões autênticas

Incentivos à população

Para estimular a participação dos cidadãos, estão sendo instalados pontos de entrega voluntária em diferentes bairros. Nesses locais, a população poderá entregar recicláveis em troca de descontos em serviços e créditos em plataformas digitais de mobilidade urbana.

Essa estratégia segue experiências já aplicadas em cidades europeias, como Barcelona e Milão, onde a coleta porta a porta associada a incentivos ajudou a elevar os índices de reciclagem.

Campanhas educativas também estão previstas, com foco em escolas, empresas e associações de bairro. O objetivo é ampliar a consciência ambiental e reduzir a chamada “contaminação” do lixo reciclável, quando resíduos são descartados de forma incorreta.

Estrutura e modernização logística em Lisboa

Outro ponto de destaque é a renovação da frota de coleta. Segundo informações do Município de Lisboa, novos caminhões com baixo consumo energético estão sendo adquiridos para tornar o processo mais eficiente e sustentável.

Além disso, sistemas de monitoramento em tempo real serão instalados nos equipamentos de coleta, permitindo acompanhar a taxa de enchimento dos contentores e otimizar rotas de recolha. Essa digitalização da coleta de resíduos busca reduzir custos e melhorar a gestão operacional.

Portugal também já conta com fábricas dedicadas a setores específicos da reciclagem, como a de pneus usados. Segundo a Valorpneu, entidade gestora desse fluxo, em 2023 foram recolhidas mais de 80 mil toneladas de pneus em todo o país, que foram encaminhadas para reciclagem e reutilização.

Metas e impactos econômicos

O governo português estabeleceu como meta elevar para 50% a taxa de reciclagem de resíduos urbanos até 2030, um avanço necessário para se aproximar das exigências da União Europeia.

Segundo a Comissão Europeia, a economia circular tem potencial para gerar crescimento econômico e criar empregos verdes. Estimativas apontam que o setor de gestão de resíduos e reciclagem emprega hoje mais de 400 mil pessoas em toda a União Europeia, com tendência de expansão.

Ao reduzir a dependência de aterros, Portugal também busca diminuir os custos associados ao tratamento de resíduos e ao impacto ambiental causado pela emissão de gases de efeito estufa.

Um modelo em construção

As primeiras etapas do projeto estão em fase de implementação em Lisboa, mas o governo português pretende estender o modelo a outras cidades do país nos próximos anos. O acompanhamento dos resultados será fundamental para avaliar a viabilidade do sistema e possíveis adaptações necessárias.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade