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Jovens da classe média repensam o sucesso e buscam bem-estar fora das capitais; entenda

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Cada vez mais, jovens da nova classe média brasileira estão questionando o estilo de vida nas grandes metrópoles como São Paulo e buscando cidades menores ou até regiões fora dos grandes centros. A migração para o interior ou para cidades médias está inserida em um contexto mais amplo de redistribuição demográfica e de consumo no país.

A essa tendência se soma o crescimento da renda domiciliar e o fortalecimento da chamada “nova classe média” no Brasil. Por exemplo, em 2008 um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que a classe C representava cerca de 51,89% da população, com renda domiciliar mensal entre R$ 1.064 e R$ 4.591.

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Longe do glamour das capitais, a nova classe média redefine o sucesso: menos CEP, mais qualidade de vida | Foto: Reprodução/Canva

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Longe do glamour das capitais, a nova classe média redefine o sucesso: menos CEP, mais qualidade de vida | Foto: Reprodução/Canva

Por que muitos jovens buscam o interior

São vários os fatores que levam essa fatia da população a optar por cidades menores ou regiões fora da metrópole, como:

  • Custo de vida mais acessível nas cidades de porte médio ou interioranas;
  • Busca por qualidade de vida, menor trânsito, mais contato com a natureza e segurança relativa;
  • Possibilidade de trabalhar remotamente ou em polos regionais que cresceram com melhor infraestrutura;
  • Expansão de serviços e comércio nessas cidades que as tornam mais atraentes.

Essas variáveis se combinam no momento pós-pandemia, quando o trabalho remoto ganhou força e muitos profissionais perceberam que podem morar longe das capitais sem abrir mão de oportunidades.

A comunicóloga Laura Castro é um exemplo representativo desse movimento. Recentemente, a jovem embarcou para a Tailândia com o intuito de ter uma vida mais leve. “Eu me sentia sufocada pelo tempo, atrasada para a minha própria vida, tudo era uma correria, as pessoas ao meu redor sempre estavam estressadas ou reclamando de algo. Depois que vim pra fora me liguei que eu nunca me senti realmente leve lá”, conta.

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Laura revela que já trabalhava de casa em São Paulo, mas sentia que o ambiente interferia muito na saúde mental e que vivia uma correria constante.

“Acredito que o que mais me motivou tenha sido a questão da segurança e qualidade de vida, queria muito saber como era a sensação de estar em um país seguro, que eu tivesse paz para ir e vir, principalmente como mulher. Além disso, São Paulo nunca fez meus olhos brilharem com aqueles prédios enormes, poluição e ruas barulhentas”, diz.

Em seu relato, destacou que a preparação econômica foi fundamental: “Desde que comecei a trabalhar, com uns 18 anos, já comecei a economizar e investir o meu dinheiro, e sempre fui muito consciente de que precisaria de economias para quando tivesse planos maiores para mim. Muitos me chamam de mão de vaca, mas eu só pude deixar o Brasil porque me preparei mesmo antes de saber que precisaria. Tenho minha reserva de emergência e nunca gasto mais do que ganho. Dessa forma, eu pude sair do país com segurança, mas também nunca deixei de trabalhar, fosse na minha área ou como garçonete e bartender, como já fiz por 2 anos em Portugal”.

Laura optou por uma vida nômade fora do Brasil, mas o princípio financeiro também se aplica ao interior nacional, visto que existe a necessidade de se preparar para mudanças de cidades, ou país.

Impactos no consumo e comércio local

Com a chegada de jovens da nova classe média em cidades menores, o perfil de consumo local muda. Estabelecimentos começam a oferecer serviços que antes se restringiam às grandes metrópoles: mais academias, serviços digitais, franquias nacionais, entregas rápidas, comércio eletrônico mais presente. Isso significa que empreendedores nessas localidades precisam se adaptar: digitalização, atendimento, mix de produtos, presença online tornam-se diferenciais.

O mercado imobiliário e a infraestrutura das cidades

A migração para cidades menores estimula a demanda por imóveis — tanto para compra quanto para aluguel — e impulsiona setores como construção civil, escolas, saúde privada, lazer. Para os municípios, isso representa desafio e oportunidade: cidade que consegue oferecer boa conectividade, serviços de qualidade, segurança e lazer terá vantagem para atrair e reter esse público.

Mudar para o interior ou para fora da metrópole não é garantia de perfeição. Há questões que são impactantes, como: emprego estável, serviços adequados de saúde/educação, internet de qualidade, mobilidade. Para Laura Castro, por exemplo, a mudança se tornou ainda mais fácil porque ela já tinha trabalho remoto, planejamento financeiro e o anseio por uma rotina diferente.

Enquanto as capitais perdem jovens e talentos para cidades de menor porte, essas regiões ganham dinamismo econômico e novos perfis de consumo. A nova classe média, que antes orbitava em torno do glamour metropolitano, agora movimenta uma economia mais descentralizada — e ajuda a redefinir o centro do Brasil.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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