O objetivo do projeto SP Invisível é criar um plano de ação para os pré-candidatos à prefeitura com foco nessa questão.

A população em situação de rua na cidade de São Paulo equivale a 31.884 pessoas, de acordo com o último censo realizado em 2021. Em termos numéricos, esse número é maior do que a população total de 89% dos municípios brasileiros. Se considerados como uma única entidade, essas pessoas formariam a 189ª maior cidade do estado de São Paulo.
No entanto, os dados não revelam detalhes sobre as condições de vida dessa população marginalizada, sem voz ou documentos, frequentemente ignorada tanto pelos cidadãos comuns quanto pelos responsáveis pela tomada de decisões. Foi com esse pensamento que André Soler, fundador da SP Invisível, uma ONG que atua há uma década no acolhimento de pessoas em situação de rua, concebeu o projeto Terra dos Invisíveis.
Em parceria com a agência de dados iD\TBWA, a campanha considera que essas pessoas tão invisíveis nas ruas formam uma “cidade própria”, espalhada por todas as regiões de São Paulo.
Para o diretor criativo da iD\TBWA, Sthefan Ko, além do grande número de pessoas, a população de rua apresenta características demográficas como idade, sexo, raça, formas de ocupação e uma economia própria – elementos que definem uma cidade. A campanha foi concebida como uma forma de chamar a atenção dos paulistanos para essa situação. “Dentro dos 12 milhões de pessoas em São Paulo, 32 mil são uma minoria. Pode-se ignorar uma minoria, mas não se pode invisibilizar uma cidade inteira. Da surge a Terra dos Invisíveis”, explica.
Por meio do site, é possível visualizar alguns dos principais locais na capital paulista identificados pela ONG como pertencentes a essa “cidade invisível”: o Museu de Arte de São Paulo, Largo do Paissandu, Pateo do Collegio, áreas próximas a estações de metrô, regiões próximas a condomínios de luxo, debaixo de pontes e escondidos em praças de todas as áreas da cidade.
A SP Invisível e a iD\TBWA utilizaram os dados do censo para fornecer indicadores sobre essa população, incluindo moradia, trabalho, saúde, alimentação e segurança, além de coletar depoimentos de moradores de rua na região do Elevado Presidente João Goulart, popularmente conhecido como Minhoco.


