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População de rua em SP equivale a uma cidade e tem economia própria, aponta ONG

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Cidadania em números

A união dos dados e depoimentos resultou na formulação de um plano de ação para a próxima administração municipal de São Paulo. A SP Invisível tem se reunido com os pré-candidatos da cidade para criar um diálogo sobre as necessidades compartilhadas pela população em situação de rua. O fundador da SP Invisível relata que alcançar os tomadores de decisão tem sido um processo desafiador. “Alguns pré-candidatos não querem nos receber, outros não estão dispostos a ouvir. Gostaríamos que eles considerassem nosso plano de ação e o incorporassem em seus planos de governo. Isso seria uma quebra de paradigma, porque conseguimos relacionar os dados com as histórias, trazendo a realidade e a verdade sobre viver na rua – uma experiência que nem todos os candidatos conhecem, mas que é extremamente importante compreender”, afirma.

O plano de ação está disponível no site da SP Invisível e pode ser acessado e baixado por qualquer pessoa. Segundo Soler, o objetivo é que o plano se torne uma fonte de conhecimento para toda a sociedade civil interessada em aprofundar-se na questão da população em situação de rua em São Paulo, especialmente após os anos da pandemia, que levaram ainda mais pessoas a situações de vulnerabilidade social e econômica. A campanha começou a ser elaborada em agosto de 2023, mas foi adaptada ao longo dos meses para enfatizar a dimensão política com a aproximação das eleições municipais, marcadas para outubro deste ano.

Os dados levantados indicam que 83% da população em situação de rua são homens e 16% são mulheres. A maioria é de pardos (47%), seguida por brancos (25%) e pretos (23%). A idade média é de 42 anos. Quase 55% desse grupo em São Paulo vive em moradias improvisadas, feitas de papel e papelão, ou em barracas que não oferecem proteção adequada contra o frio intenso no inverno, as chuvas cada vez mais perigosas e a violência. A maioria está empregada, seja coletando materiais recicláveis, pedindo dinheiro nas ruas, vendendo materiais ou trabalhando em “bicos” de limpeza, construção, carga e descarga. Um quarto deles recebe alimentação de organizações que distribuem comida. 76% já passaram por centros de acolhimento e albergues.

Problemas de saúde são comuns, afetando 50% da população em situação de rua. A insegurança é relatada por 52% deles. Uma esmagadora maioria, 92%, deseja sair das ruas. A SP Invisível continua arrecadando doações para ações de alimentação, capacitação e combate ao frio, que todos os anos ceifa a vida de moradores.

Sobre o autor Monique Caroline

Trabalha com produção de TV desde 2017 e jornalismo comunitário desde 2018, quando se formou em Práticas Jornalísticas nas Periferias. Pós-graduada em Experiências Digitais e coordenadora de conteúdo do Super Finanças

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