Falar sobre dinheiro ainda é um tabu
“Na nossa cultura, o dinheiro está muito atrelado ao sucesso. Portanto, há uma percepção de que se você tem dívidas, logo você está passando um atestado de incompetência”, afirma Valéria Meirelles, doutora em Psicologia Clínica com ênfase em Psicologia do Dinheiro. Ela explica que, muitas vezes, as pessoas acabam se endividando para adquirir bens que garantam status e prestígio social, para ter a sensação de ser bem sucedido.
A estratégia, porém, pode ter o efeito contrário: em vez de melhorar a autoestima, a pessoa passa a duvidar da sua capacidade e a sentir vergonha.
Valéria afirma que os impactos do endividamento e da inadimplência variam muito de acordo com a classe social e a faixa de renda. “Vivemos numa sociedade altamente desigual. Nas camadas mais pobres, há muitas famílias que usam o crédito pessoal ou cartão de crédito para pagar despesas básicas, para ter o que comer. Há casos também em que a população de baixa renda faz dívidas para comprar bens que proporcionem o mínimo de conforto.”.
Não podemos esquecer daqueles que não se preocupam tanto. O clássico “devo, não nego, pago quando puder”.
Também é muito comum “emprestar o nome” para um amigo ou parente fazer compras parceladas ou empréstimos, não receber o dinheiro e acabar sendo “negativado”.
“Nos meus estudos acadêmicos, desde 1994, e na rotina como terapeuta, vejo a confirmação de que a família é o maior valor do brasileiro: ‘em nome da família, fazemos tudo’”, diz ela. “Por isso, em muitos casos, as pessoas não conseguem dizer ‘não’ a um familiar que precisa de dinheiro.”


