Precisamos conversar sobre esse assunto que mexe tanto com o bolso e com as nossas emoções
O princípio é bem simples: não se deve gastar mais do que se ganha. Certo? Mas como diz o ditado: “falar é fácil, colocar em prática… São outros quinhentos”. Para a maioria de nós, trabalhadores brasileiros, é um tanto conturbada essa relação entre o que cai na conta todo mês e a enorme lista de gastos essenciais.
Os boletos não param de chegar: contas de água, luz, internet, aluguel, prestação do carro, da TV, da geladeira. Os preços no supermercado, farmácia, postos de combustíveis e até no transporte público não param de subir. Diante disso, o salário parece encolher cada vez mais.
Ninguém gosta de ficar devendo, com nome sujo na praça. Para muitos, é motivo de vergonha. Não querem nem tocar no assunto. Algumas pessoas acham até que ter dívidas é sinônimo de fracasso.
Calma, não é bem assim!
Talvez você não saiba, mas cerca de oito em cada dez famílias brasileiras estavam endividadas em 2023. A taxa anual fechou em 77,8%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
A apuração feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou que, em média, 30% da renda das famílias estava comprometida com o pagamento de dívidas.
Estamos falando de financiamentos de imóveis e veículos, por exemplo, empréstimos e parcelamento de compras. O problema não está no endividamento em si, mas na inadimplência. E quem mais sofre com ela são as famílias de baixa renda. Quanto menor o rendimento, maior é a vulnerabilidade às variações da economia, especialmente das taxas de juros e da inflação.


