O recente apagão que atingiu a cidade de São Paulo causou grandes prejuízos aos setores de varejo e serviços, gerando uma perda estimada em R$ 1,65 bilhão, de acordo com cálculos da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). Em resposta, a entidade orienta os comerciantes a reunir provas detalhadas dos danos sofridos, a fim de buscar possíveis ressarcimentos.
A recomendação foi destacada por André Sacconato, assessor econômico da FecomercioSP. Segundo ele, é crucial que os empresários afetados organizem uma documentação robusta para embasar eventuais pedidos de indenização.
A importância de documentar prejuízos
Sacconato destacou que o primeiro passo para os comerciantes é reunir todas as provas possíveis dos prejuízos causados pela falta de energia. “A primeira coisa que nós aconselhamos todos os donos de estabelecimento é tentar arregimentar o maior número de provas possíveis desse prejuízo”, afirmou o economista.
Para isso, é necessário que os empresários tirem fotos, registrem os dias de interrupção no funcionamento de seus negócios e comparem as vendas e notas fiscais de períodos normais com os dias afetados pelo apagão. “Toda prova que ele conseguir arregimentar nesse período vai ser muito útil lá na frente”, complementou Sacconato.
Essas provas serão essenciais em possíveis ações de ressarcimento contra a empresa responsável pela distribuição de energia, a Enel. Além disso, Sacconato sugeriu que os empresários se unam a ações coletivas, como a que já está sendo organizada pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), pois ações conjuntas podem ter mais chances de sucesso.
Impacto financeiro do apagão

O apagão, que já dura três dias em algumas partes da cidade, deixou um rastro de prejuízos. Segundo a FecomercioSP, as perdas somadas dos setores de varejo e serviços já alcançam R$ 1,65 bilhão, sendo R$ 536 milhões somente no varejo. O setor de serviços, que inclui restaurantes, farmácias e lojas, teve um impacto ainda maior, com perdas estimadas em R$ 1,1 bilhão.
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Esses números refletem apenas o faturamento que deixou de ser registrado durante o apagão, sem contar as perdas de estoques, especialmente de produtos perecíveis. Sacconato alertou que o valor total dos prejuízos pode ser ainda maior, uma vez que muitos comerciantes tiveram que arcar com custos extras, como a locação de geradores e a compra de combustíveis para manter os negócios funcionando.
Além do impacto direto no faturamento, a falta de energia também prejudicou o fornecimento de água em muitos edifícios, o que aumentou os custos operacionais de diversas empresas. Esse cenário adiciona uma pressão adicional sobre os negócios que já enfrentavam dificuldades no cenário econômico.
Ação coletiva e ressarcimento
Sacconato enfatizou a importância de uma ação bem documentada para garantir o ressarcimento. Ele destacou que a legislação brasileira oferece proteção contra interrupções no fornecimento de serviços essenciais, como a eletricidade, e que os consumidores têm o direito de buscar compensações por danos. “Existe proteção na lei contra esse tipo de interrupção de serviço. Você consegue sim algum tipo de reembolso por conta desses prejuízos, mas tem que ser bem documentado”, afirmou.
Ele também mencionou que a Abrasel já está organizando uma ação coletiva em nome de seus associados, o que pode ser uma boa opção para empresários que desejam aumentar suas chances de sucesso nas reivindicações. “A ação coletiva é uma forma mais eficaz de buscar ressarcimento, pois o impacto é maior e a pressão sobre a empresa responsável também aumenta”, explicou o assessor da FecomercioSP.
Responsabilidade da Enel
A FecomercioSP atribui à Enel a responsabilidade pelos prejuízos econômicos enfrentados pelos estabelecimentos comerciais. Em resposta, a distribuidora de energia informou que está trabalhando desde a sexta-feira, 11 de outubro, para restabelecer o fornecimento de energia para os clientes afetados pelo apagão.
De acordo com a Enel, cerca de 1,7 milhão de clientes tiveram o fornecimento de energia restabelecido até o momento, mas 340 mil ainda permanecem sem luz. A empresa afirmou que as equipes estão trabalhando com reforços de técnicos de outras regiões para acelerar o processo de normalização do serviço.
A distribuidora também explicou que o apagão foi causado por fortes rajadas de vento que atingiram a capital, com velocidades de até 107 km/h, danificando severamente a rede elétrica. A Enel garantiu que está empenhada em restabelecer a energia para todos os clientes o mais rápido possível.
O futuro do comércio em São Paulo
A FecomercioSP está trabalhando em conjunto com autoridades como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Prefeitura de São Paulo para pressionar a Enel a restabelecer o serviço com urgência. Além disso, a entidade está coletando dados sobre os prejuízos enfrentados pelos comerciantes para apoiar ações de ressarcimento.
Com o fim do apagão ainda incerto para milhares de estabelecimentos, o impacto econômico dessa interrupção será sentido por meses. Contudo, a orientação é clara: documentar as perdas é o primeiro passo para buscar a recuperação financeira e assegurar que os empresários possam ser compensados pelos danos sofridos.


