Os números recentes do impacto das bets e a reverberação do assunto, além da preocupação em matérias e relatos nas redes sociais, mostram o quão devastador são os efeitos na sociedade. Podemos traçar o perfil de quem joga, temos um indicador de quem são esses apostadores: geralmente, pobres e assalariados. Essas pessoas simplesmente não têm a opção de esperar! As necessidades desses indivíduos são urgentes, o desejo de melhorar de vida de quem nunca teve muita coisa é pra ontem.
Por isso, talvez uma das razões para entendermos o fenômeno esteja na incapacidade do nosso país em criar caminhos viáveis para que essas pessoas possam encontrar segurança social, projetos de vida e possibilidades de acesso à moradia e à educação, visando um projeto de vida a longo prazo.
Analisar o fenômeno da pobreza parece “fácil”, mas entender o dia-a-dia de quem vive da desesperança requer, no mínimo, empatia. Quantos de nós observamos mais atentamente as barreiras impostas a grupos sociais que ascendem nas últimas décadas?
Desde que milhões de pessoas pobres, negras e periféricas passaram a conquistar direitos no campo social — como uma bolsa mínima que garante renda e as tirem da pobreza absoluta, da insegurança alimentar ou como a conquista do direito a férias e ao décimo terceiro e, principalmente, o acesso à educação superior e técnica — algo incrivelmente perverso aconteceu. Uma espécie de retaliação de quem era contrário a esses avanços.


