Desinvestiram em massa nos nossos sonhos
Uma parte da classe política e poderosa no Brasil foi, silenciosamente, retirando todos os direitos básicos de sobrevivência da população brasileira e desinvestindo em quem estava ascendendo nas últimas duas décadas no nosso país.
Esses mesmos direitos garantiram que, historicamente, os pais e avós de imigrantes vindos da Europa e do Oriente Médio, nos séculos XIX e XX, pudessem viver com segurança e acesso a direitos fundamentais, a partir desse momento, começaram a ser vistos como excessos aos que agora ascendiam socialmente e conquistavam espaços.
Esse período de segurança e estabilidade, que trouxe garantias fundamentais para aposentadoria, saúde e bem-estar a muitos brasileiros, aconteceu principalmente do final da era Vargas até o início dos anos 2000 e deixou de existir como conhecíamos nos anos 2010 em diante, por um Congresso cada vez mais liberal.
Um exemplo prático foi a visível desvalorização do ensino superior público. Com o avanço das camadas mais pobres à educação superior, no início dos anos 2000, nós começamos a assistir à aceleração do sucateamento das universidades públicas brasileiras, assim como as escolas públicas de um país que tem dois sistemas de ensino funcionando paralelamente.
De um lado o sistema das escolas particulares, que são um modelo inalcançável para milhares de brasileiros, e de outro a desvalorização dos espaços públicos de ensino, essa educação a qual a maioria da população terá acesso.
Hoje, muitos dos descendentes desses brasileiros que já foram beneficiados por políticas públicas nos séculos XIX e XX fazem parte da elite brasileira e falam abertamente em preparar seus filhos para estudar, exclusivamente, em universidades no exterior.
Quanto mais pobres, pretos e periféricos acessam esses espaços, menos prestígio e investimento essas instituições de ensino, principalmente as públicas, recebem. Esse fenômeno caminha, silenciosamente, e ninguém deseja falar que ele acontece em, literalmente, todos os setores da sociedade.


