Mas, o que as bets tem a ver com isso?
Com a precarização do trabalho e a quase inviabilização de um projeto de reforma da previdência que entregasse ao trabalhador uma visão sobre seu próprio futuro, os brasileiros estão à deriva.
Se de um lado só conseguem enxergar um mar de dívidas e falta de oportunidades, do outro, a solução é arriscar a sorte em um mundo irreal de possibilidades, buscando melhorar de vida com prazeres momentâneos e o desejo de mudança.
Chamar as pessoas que jogam nas bets de “burras” e culpar somente a falta de educação financeira dessas pessoas: é ignorar o porquê estão jogando. A pergunta que talvez não estamos fazendo é sobre quem permitiu esse novo sistema? Como ele foi arquitetado? E, principalmente, a gente olhar pro nosso povo! Quem são essas pessoas que estão desesperadas por uma vida melhor? Pessoas que têm coragem de arriscar tudo que não têm pra receber um trocado?
Isso tudo ocorre paralelamente em uma sociedade em que redes sociais visibilizam quase, exclusivamente, a cultura da ostentação, enquanto alguns milhões desfilam seus jatos e vida luxuosa na nossa cara, o que resta é arriscar.
Veja bem, nem o futuro da moradia está mais garantido para a chamada “classe média”. Por exemplo, São Paulo é uma das cidades onde todos os dias flats de 25 e 40 metros quadrados são vendidos por até meio milhão de reais. Ou seja, não se você é jovem e deseja constituir uma família hoje, não dá nem para projetar viver com espaço e conforto. Não existe um projeto de cidade, casa e lar que abarque as necessidades básicas de quem quer viver e melhorar de vida!


