O ozempic é um medicamento utilizado sob prescrição médica para tratar obesidade e diabete, e o uso sem prescrição pode gerar graves danos à saúde. No entanto, mesmo não sendo recomendado muitas pessoas estão utilizando, consequentemente, isso está causando uma onda de internações na UTI.
A pequena cidade de Kalundborg, na Dinamarca, vivenciou uma revolução em sua economia local devido à crescente demanda global por medicamentos que tratam obesidade e diabetes, como o Ozempic e o Wegovy, produzidos pela farmacêutica Novo Nordisk. Com apenas 17 mil habitantes, a cidade se tornou um exemplo de como a inovação científica pode transformar economias locais, nacionais e até globais.
Kalundborg, localizada a cerca de uma hora de Copenhague, se destacou por abrigar uma das principais plantas de produção da Novo Nordisk, empresa farmacêutica que domina o mercado europeu.

A cidade experimentou um crescimento econômico superior a 26% em um ano, resultado direto de um investimento de US$ 8,6 bilhões para expandir a planta que produz a semaglutida, princípio ativo dos medicamentos.
Esse cenário trouxe um aumento na arrecadação de impostos, melhoria na infraestrutura e geração de empregos. A receita fiscal da cidade aumentou dez vezes em uma década, possibilitando a redução de tributos e novos investimentos em serviços públicos.
Uma revolução do ozempic na economia dinamarquesa
A Novo Nordisk não apenas transformou Kalundborg, mas impulsionou significativamente a economia dinamarquesa como um todo. Em 2023, a empresa registrou um lucro de US$ 12 bilhões e alcançou um valor de mercado de US$ 600 bilhões, tornando-se a maior empresa da Europa.
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O impacto da farmacêutica na Dinamarca é tão grande que, segundo Las Olsen, economista-chefe do Danske Bank, sem o setor farmacêutico o crescimento do PIB dinamarquês em 2023 teria sido nulo. Além disso, o aumento da entrada de receitas em dólares pela empresa contribuiu para taxas de juros mais baixas no país, beneficiando o custo de financiamento de hipotecas para os dinamarqueses.
Benefícios e desafios do crescimento gerado pelo Ozempic
Embora o crescimento tenha gerado prosperidade, também levantou preocupações sobre a dependência econômica de uma única empresa. A experiência de Kalundborg e da Novo Nordisk remete à história da Nokia na Finlândia, que, após anos de liderança no setor de tecnologia, enfrentou um colapso que impactou severamente a economia finlandesa.
Os especialistas ressaltam a importância de diversificar a economia e investir em educação e infraestrutura para evitar que a Dinamarca dependa excessivamente da Novo Nordisk. O economista Mads Lundby Hansen alerta que o foco no sucesso de uma única companhia pode mascarar a necessidade de fortalecer o restante da economia.
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Reflexões e lições para o futuro
O caso do Ozempic destaca como a inovação pode transformar cidades e países inteiros, mas também serve como um lembrete de que o crescimento sustentável exige equilíbrio e planejamento estratégico.
Kalundborg e a Dinamarca se beneficiaram imensamente do impacto econômico do Ozempic, mas, para assegurar um futuro resiliente, será necessário diversificar os investimentos e manter o foco em outras áreas da economia.
Enquanto isso, Kalundborg continua a se expandir, com novas moradias, serviços e oportunidades, solidificando sua posição como um exemplo de sucesso econômico impulsionado pela ciência e inovação.
Impacto na economia da Dinamarca
O Banco Central da Dinamarca optou por manter as taxas de juros abaixo das praticadas pelo Banco Central Europeu (BCE), conforme afirmou o presidente do Danske Bank.
Essa medida desestimula investidores estrangeiros a adquirirem coroas dinamarquesas, o que contribui para a desvalorização da moeda local, explicou Pedersen. O objetivo do banco central é manter a coroa estável frente ao euro, buscando alinhar a inflação ao nível médio dos 20 países que utilizam a moeda comum.
“É notável que uma única empresa esteja liderando uma parcela tão significativa do crescimento econômico e do superávit comercial da Dinamarca”, destacou. Ele acrescentou que, embora o país já tenha tido grandes corporações em sua história, nenhuma atingiu o impacto econômico tão expressivo como a atual.
Como reflexo dessa política, alguns proprietários de imóveis dinamarqueses estão pagando juros mais baixos em suas hipotecas em comparação a outros países da Europa.
Andrew Kenningham, economista-chefe para a Europa da Capital Economics, explica que a Dinamarca conseguiu superar a maioria das economias europeias desde a pandemia. Segundo ele, esse desempenho positivo se deve “em grande parte” ao sucesso da indústria farmacêutica do país, cujas exportações cresceram quase quatro vezes desde 2019.


