Os pagamentos por aproximação — aqueles feitos ao encostar o cartão ou celular na maquininha — já representam 67% das transações com cartões da bandeira Visa no Brasil. Os dados, divulgados no início de maio de 2025, mostram como essa forma prática e rápida de pagamento vem conquistando os brasileiros, especialmente no transporte urbano e entre pequenos comerciantes.
A tendência não é exclusiva do Brasil. Em toda a América Latina, cerca de 70% das transações com cartão já são feitas por aproximação. Em países como Chile e Costa Rica, esse número chega a superar 90%, segundo o presidente da Visa para a América Latina e Caribe, Eduardo Coelho. O avanço reflete mudanças no comportamento do consumidor e a busca por mais agilidade nas compras do dia a dia.

Como funciona o pagamento por aproximação?
O pagamento por aproximação, também chamado de contactless, permite que o consumidor pague por produtos ou serviços apenas aproximando o cartão, celular ou smartwatch da maquininha, sem a necessidade de inserir o cartão e digitar senha (em valores de até R$ 200, conforme regras atuais).
Essa tecnologia usa um sistema de comunicação por radiofrequência (NFC – Near Field Communication) e garante segurança por meio de criptografia e autenticação.
Transporte e pequenos comércios puxam avanço
O uso mais intenso dos cartões por aproximação no transporte público, como o metrô do Rio de Janeiro, tem sido um dos motores dessa mudança. A adoção dessa tecnologia nas catracas começou ainda em 2016, por ocasião das Olimpíadas, mas ganhou tração nos últimos anos.
Segundo a Visa, as pessoas se acostumam com a praticidade de passar o cartão ou o celular para embarcar e passam a usar o mesmo método em padarias, farmácias, bancas de jornal e mercadinhos.
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Nos últimos 5 anos, a adesão dos pequenos comerciantes aumentou consideravelmente — até mesmo os vendedores ambulantes passaram a aceitar pagamentos com maquininhas que operam por aproximação, impulsionadas por empresas como SumUp, PagSeguro e Mercado Pago.
Pandemia acelerou o uso da tecnologia
Durante a pandemia de covid-19, houve uma aceleração significativa no uso de cartões por aproximação. As pessoas passaram a evitar o contato direto com as maquininhas por razões sanitárias, e o setor financeiro respondeu com limites mais altos para esse tipo de pagamento.
“Foi um ponto de virada”, explica Romina Seltzer, chefe de produtos e inovação da Visa na América Latina. “As pessoas perceberam que podiam comprar com mais rapidez e segurança, sem tocar na maquininha e sem precisar digitar senha em boa parte das transações.”
Copa do Mundo pode impulsionar uso no México
Enquanto no Brasil e em outros países da América Latina o pagamento por aproximação já é comum, o México ainda está atrás — principalmente por conta da forte presença do dinheiro em espécie no cotidiano. No entanto, com a Copa do Mundo de 2026, que será realizada em conjunto por México, Estados Unidos e Canadá, a Visa acredita que haverá uma forte expansão no uso de pagamentos digitais.
A empresa está em conversas com autoridades mexicanas para incentivar a formalização da economia e o uso de cartões — inclusive em estádios. Em Monterrey, no norte do país, um estádio está sendo transformado para funcionar 100% sem dinheiro (cashless), o que pode se tornar um modelo para outros locais.
Eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas têm um impacto duradouro no comportamento dos consumidores, explica Eduardo Coelho. “Não é só durante o evento. O turismo aumenta antes e continua forte depois, o que leva a uma maior circulação de dinheiro e adoção de novos métodos de pagamento.”
O que isso muda para o consumidor brasileiro?
Com mais da metade das transações já acontecendo por aproximação, é provável que o Brasil caminhe para um cenário cada vez mais sem dinheiro físico. Isso representa:
- Mais agilidade no pagamento, com filas menores.
- Mais segurança, já que não é necessário expor senha para compras de até R$ 200.
- Mais controle, com alertas instantâneos de transação no celular.
- Inclusão digital, com pequenos negócios aceitando cartões e QR code.
Além disso, aplicativos de carteiras digitais como Apple Pay, Google Pay, Samsung Pay e carteiras de bancos tradicionais permitem o uso do celular como meio de pagamento. É possível, por exemplo, pagar um café de R$ 7,90 ou uma corrida de metrô de R$ 5,00 apenas aproximando o smartphone da maquininha ou do validador.
O crescimento dos pagamentos por aproximação é um reflexo direto da modernização do sistema financeiro e da preferência por soluções rápidas e seguras no dia a dia. Com 67% das transações da Visa no Brasil já acontecendo dessa forma, o país avança para um modelo mais digital e menos dependente do dinheiro em espécie.
A tendência deve continuar ganhando força, especialmente com mais investimentos em transporte urbano, digitalização do comércio e eventos de grande porte como a Copa do Mundo, que impulsionam a inovação nos meios de pagamento.
*Entrevistas concedidas ao Estadão


