O agronegócio brasileiro começou o ano com um forte desempenho. Nos primeiros três meses de 2025, o setor cresceu 6,49%, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Esse crescimento representa uma grande contribuição para a economia do país e mostra que o campo continua sendo um dos principais motores do Brasil.
Mas o que isso significa na prática?
Quando falamos em crescimento do agronegócio, estamos falando da soma de tudo o que o campo produz: desde os fertilizantes e sementes usados antes do plantio, passando pela produção de alimentos e criação de animais, até a transformação desses produtos em alimentos processados, bebidas, roupas, combustíveis e outros bens. Tudo isso junto forma o chamado “PIB do agronegócio” — ou seja, o valor de tudo que esse setor movimenta na economia.

Esse crescimento aconteceu principalmente porque os produtores rurais conseguiram vender seus produtos por preços melhores e, ao mesmo tempo, colheram mais. Alimentos como soja, milho, café, trigo e carnes valorizaram no mercado. Ou seja, os agricultores e pecuaristas produziram mais e venderam melhor. Isso significa mais dinheiro circulando no campo e também nas cidades que dependem da produção rural.
Para quem vive nas cidades, esse crescimento pode parecer algo distante, mas os efeitos chegam de várias formas. Um dos impactos mais diretos está no emprego. Com o agronegócio aquecido, há mais demanda por trabalhadores, tanto nas fazendas quanto nas fábricas, nos caminhões de transporte, nos armazéns e nos mercados. Isso ajuda a diminuir o desemprego, principalmente em regiões do interior, onde o agro é a principal atividade econômica.
Além disso, quando o campo vai bem, outros setores também se movimentam. O comércio vende mais, os serviços são mais procurados e o governo arrecada mais impostos. Esse dinheiro extra pode ser usado para investimentos públicos em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Crescimento da exportação no agronegócio traz menos oferta para o mercado interno
Quando muitos alimentos são exportados — ou seja, vendidos para fora do país — pode haver menos oferta no mercado interno. Isso pode fazer com que o preço de produtos como arroz, feijão, leite e carne aumente nos supermercados. Ou seja, mesmo com uma boa colheita, as famílias podem sentir no bolso.
Outro ponto de atenção é a situação dos pequenos produtores. Mesmo com o bom momento do setor, muitos agricultores familiares têm dificuldades para aproveitar os lucros, já que enfrentam altos custos com adubos, defensivos e máquinas.
O crescimento do agro, muitas vezes, beneficia mais os grandes produtores e exportadores. Para que todos possam crescer juntos, é importante que existam políticas públicas de apoio aos pequenos, com acesso facilitado a crédito, assistência técnica e oportunidades de mercado.
Também é preciso considerar os impactos ambientais. A expansão das lavouras e criações precisa ser feita de forma responsável, sem desmatamento ou uso excessivo de venenos agrícolas.
O crescimento sustentável, que respeita o meio ambiente, é um dos grandes desafios do setor para os próximos anos. Sem cuidados, o avanço do agro pode trazer prejuízos à natureza e às comunidades locais.
Com o resultado deste início de ano, o agronegócio passou a representar quase 30% de toda a economia brasileira. Isso quer dizer que, de cada R$ 100 gerados no Brasil, quase R$ 30 vêm diretamente do campo. É o maior índice em mais de 20 anos. Esse dado reforça a importância do agro não só como setor econômico, mas como parte da vida de todos os brasileiros.
No fim das contas, o crescimento do agronegócio ajuda o Brasil a se manter forte economicamente. Ele gera empregos, movimenta o comércio, leva dinheiro para os municípios e ajuda o país a crescer.
Mas, para que esse crescimento realmente chegue até as pessoas, é necessário garantir que os alimentos continuem acessíveis, que os pequenos produtores tenham apoio e que o meio ambiente seja respeitado.


