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Financiamento de veículos cresce 4,3% no mês de maio

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Apesar dos desafios macroeconômicos, o mercado de veículos financiados no Brasil começou a dar sinais de recuperação. Segundo dados divulgados pela B3 (bolsa de valores brasileira sediada em São Paulo) em 9 de junho de 2025, o número de financiamentos de veículos – incluindo carros leves, pesados e motocicletas, novos e usados – chegou a 602 mil unidades em maio de 2025. Esse número representa um aumento de 4,3% em comparação com maio de 2024 e 6,1% em relação a abril de 2025.

A B3, que opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG) – maior base privada do Brasil com dados sobre restrições financeiras em veículos usados como garantia – revelou também que, de janeiro a maio de 2025, o volume total financiado ficou em 2,847 milhões de unidades. Apesar de expressivo, esse número mostra estabilidade em relação ao mesmo período de 2024, sem variação significativa.

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Caso a inflação continue em desaceleração e a taxa de juros recue, é possível que o crédito fique mais acessível, impulsionando ainda mais os financiamentos de veículos | Foto: Reprodução/Canva
Caso a inflação continue em desaceleração e a taxa de juros recue, é possível que o crédito fique mais acessível, impulsionando ainda mais os financiamentos de veículos | Foto: Reprodução/Canva

Motos e carros leves puxam o crescimento

Entre os segmentos analisados, os autos leves foram responsáveis por boa parte do avanço, com crescimento de 1,4% em relação a maio de 2024 e de 4,7% na comparação com abril de 2025. Já o setor de motocicletas apresentou desempenho ainda mais forte, com alta de 4,7% em 12 meses e de 2,3% em relação ao mês anterior.

Por outro lado, o financiamento de veículos pesados — como caminhões e ônibus — teve queda de 2,1% tanto em relação a abril quanto em relação a maio de 2024, evidenciando os efeitos de um cenário mais cauteloso para o setor de transporte e logística.

Financiamento segue importante para o consumo

Os dados refletem o peso que o crédito ainda exerce sobre o consumo de veículos no Brasil. Com preços médios elevados e o poder de compra da população comprometido pela inflação e juros altos, o financiamento continua sendo a principal forma de aquisição.

Para se ter uma ideia, segundo a Fipe, o preço médio de um carro popular novo em maio de 2025 era de R$ 78 mil, o que representa cerca de 20 vezes o salário mínimo atual, de R$ 1.412. Já uma motocicleta de entrada custa, em média, R$ 14 mil, valor ainda significativo para boa parte da população.

Estabilidade ainda reflete o cenário macro

Segundo Thiago Gaspar, superintendente de relacionamento com clientes e relações institucionais da B3, o desempenho estável no acumulado do ano reflete um ambiente macroeconômico desafiador. “Ainda assim, há sinais de retomada no ritmo de mercado, evidenciados pelo melhor desempenho na média por dia útil na comparação de maio de 2025 com abril de 2025 e maio de 2024”, afirmou o executivo em entrevista a CNN.

Fatores como a manutenção da taxa Selic em 10,50% ao ano e a alta nos preços dos combustíveis no primeiro trimestre de 2025 afetaram o poder de compra e o apetite por novos compromissos financeiros. Ainda assim, a leve melhora nos índices de confiança do consumidor tem contribuído para a retomada gradual dos financiamentos.

Impulso para o setor automotivo

O crescimento no número de financiamentos é uma boa notícia para o setor automotivo, que tem enfrentado dificuldades desde a pandemia de Covid-19 e, mais recentemente, pelas incertezas econômicas globais.

De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), cerca de 55% das vendas de carros novos no Brasil são feitas por meio de financiamento, número que chega a 70% no caso das motocicletas. Portanto, a recuperação da oferta de crédito e a confiança do consumidor são fundamentais para o desempenho do setor.

Expectativas para os próximos meses

Para os próximos meses, o mercado financeiro e o setor automotivo acompanham com atenção as decisões de política monetária e os resultados da economia brasileira. Caso a inflação continue em desaceleração e a taxa de juros recue, é possível que o crédito fique mais acessível, impulsionando ainda mais os financiamentos de veículos.

Outro fator importante será a continuidade de incentivos fiscais e programas de renovação de frota, que podem estimular tanto a compra de carros populares quanto o escoamento de veículos usados — especialmente importante para o setor de motocicletas, que vive alta demanda em função da expansão dos serviços de entrega.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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