Desaceleração do crédito e do consumo
O IOF é um tributo que incide diretamente sobre operações financeiras, especialmente sobre empréstimos, financiamentos e compras internacionais. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), o custo do crédito pode aumentar entre 14,5% e 40% com o novo IOF. Essa elevação desestimula tanto o crédito produtivo quanto o consumo — dois motores fundamentais da atividade econômica.
De acordo com estimativas oficiais, o governo prevê arrecadar R$ 20,5 bilhões adicionais em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026 com essas alterações. A justificativa é equilibrar as contas públicas e compensar renúncias fiscais em outras áreas. No entanto, embora eficiente no curto prazo, essa estratégia pode impor um custo elevado à economia produtiva no médio e longo prazo.
Entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) já alertaram que a medida pode reduzir o ímpeto do investimento privado, especialmente em um cenário de taxa básica de juros (Selic) elevada e confiança empresarial ainda em recuperação.
Mais do que um ajuste técnico, o aumento do IOF reacende uma discussão maior: o Brasil precisa revisar sua estrutura tributária, com foco em produtividade, competitividade e justiça fiscal. Continuar recorrendo a tributos indiretos e regressivos como solução imediata para cobrir déficits perpetua um modelo que penaliza quem consome, investe e empreende.
Se o país realmente deseja crescer de forma sustentável, é necessário trocar a tática emergencial por uma estratégia de longo prazo. Incentivar o crédito produtivo, simplificar a carga tributária e promover segurança jurídica são caminhos mais assertivos — e menos onerosos — para gerar crescimento, emprego e arrecadação.


