Em tempos de instabilidade, o ouro reluz ainda mais. A cotação do metal fechou em alta no dia 23 de junho, puxada pela escalada de tensões no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos ao Irã. Esse desempenho reafirma o papel do ouro como proteção contra a inflação e os riscos geopolíticos.

Em países como Arábia Saudita, Kuwait, Catar, entre outros, as mulheres compram ouro – geralmente com purezas de 21, 22 ou até 24 quilates – como forma de poupança pessoal, segurança e legado patrimonial. Ao contrário dos homens, que investem em propriedades, elas preferem joias conversíveis em capital: colares, pulseiras e anéis — muitas vezes presentes em casamentos e celebrações — que funcionam como reserva em tempos de crise.
Entre brilho, cultura e autonomia
Morei em Amã, na Jordânia, e hoje vivo no Kuwait, país árabe no Golfo Pérsico. Em ambos os lugares, testemunho olhares que brilham — o meu, inclusive — diante daquele ouro âmbar intenso. E não é apenas estética. Para nós, brasileiras, acostumadas ao ouro 18 quilates — e, diga-se, acostumadas a vê-lo, independente de o adquirirmos ou não — o contraste é marcante.
No Brasil, como em outros países ocidentais, o valor do ouro está muitas vezes atrelado ao design, à marca, ao status de joalherias exclusivas. O preço é elevado não apenas pelo metal em si, mas por tudo que o cerca. Aqui, no Oriente Médio, o valor está concentrado na pureza do ouro e em sua função direta como reserva de valor. É ouro pelo ouro — investimento, segurança, herança, autonomia.
Historicamente, o uso do ouro pelas mulheres no Oriente Médio também legitimava status e simbolizava poder familiar. Mas há ainda mais: a compra de ouro representa autonomia financeira — uma forma de liberdade silenciosa. O que parece adorno é, também, sinal de segurança e proteção diante de incertezas.
Neste momento de tensão em 2025, quando os conflitos no Oriente Médio afetam mercados globais, esse metal reluz para além de seu valor econômico. Ele se mantém como escudo contra a inflação, patrimônio atravessável e reflexo da resiliência feminina — entregando, sobretudo, liberdade de escolha.


