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Alimentos ficam mais baratos no Brasil em junho

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Em junho, o custo dos produtos da alimentação no domicílio caiu 0,43%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE. Essa foi a primeira queda após nove meses consecutivos de aumento. O recuo nos preços é reflexo de dois fatores principais: uma melhora na oferta de alimentos no país e um câmbio mais favorável. Esses dois elementos têm reduzido os custos de produção e ajudado a segurar os preços nas gôndolas dos supermercados.

Preço dos alimentos caiu em junho
Condições climáticas e queda do dólar ajudaram a diminuir o custo dos alimentos no Brasil | Foto: Reprodução / Canva

As condições climáticas mais estáveis nos últimos meses permitiram um aumento na colheita de diversos produtos. Isso fez com que mais alimentos chegassem ao mercado interno, o que naturalmente pressiona os preços para baixo. Quando há mais oferta do que demanda, os valores tendem a cair.

Além disso, o dólar mais fraco contribuiu para baratear insumos agrícolas e produtos importados, como fertilizantes, utilizados na maioria da produção agropecuária nacional. Com custos menores no campo, o reflexo aparece no preço final dos produtos para o consumidor.

Os dados do IBGE mostram que alimentos importantes na mesa dos brasileiros, como arroz, frutas e ovos, tiveram recuo expressivo nos preços em junho. A queda no valor do arroz, por exemplo, foi influenciada por uma recuperação na produção nacional, após problemas anteriores causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Já o recuo nos preços das frutas foi puxado por uma maior variedade e quantidade nos pontos de venda, especialmente em regiões onde a produção foi favorecida pelo clima. No caso dos ovos, a queda refletiu um momento de equilíbrio entre a oferta e a demanda, após meses de alta nos custos de produção.

Tarifas dos EUA ameaçam estabilidade do mercado

Apesar desse cenário de melhora, um novo fator trouxe instabilidade para o setor. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. Entre os itens afetados estão o café, a carne bovina e o suco de laranja, que são três importantes produtos da pauta agrícola brasileira. A notícia foi recebida com preocupação por produtores e economistas, que temem os impactos dessas medidas sobre o câmbio e a inflação.

Com isso, parte da produção destinada à exportação pode ficar represada no mercado interno. Isso poderia gerar, num primeiro momento, uma maior oferta local, o que ajudaria a manter os preços baixos. No entanto, os especialistas alertam que esse alívio seria passageiro. O maior risco está na reação do mercado cambial. Com a ameaça de restrições ao comércio exterior, o dólar pode voltar a subir.

Uma valorização da moeda norte-americana encarece os itens agrícolas, além de outros produtos importados, o que pressionaria os preços para cima nos próximos meses.

A Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada no Congresso brasileiro e regulamentada por decreto, autoriza o governo federal a adotar medidas semelhantes contra países que apliquem restrições comerciais ao Brasil. No entanto, integrantes do governo, como a senadora Tereza Cristina, avaliam que essa retaliação deve ser usada apenas como último recurso.

Ela defende que o Brasil busque primeiro o diálogo com os Estados Unidos, para tentar reverter as tarifas por meio da diplomacia. Um confronto direto, segundo a senadora, prejudicaria os dois lados.

Incertezas no cenário global afetam projeções para o segundo semestre

O efeito do chamado “tarifaço” ainda é incerto, mas já começa a influenciar as projeções para a economia no segundo semestre. O principal canal de impacto será o câmbio. Se o dólar se mantiver sob controle, os preços dos alimentos tendem a continuar estáveis ou mesmo em queda. Mas, se houver uma disparada da moeda americana, os custos de produção no campo devem voltar a subir, o que se refletirá nos preços finais.

Mesmo com a queda registrada em junho, os alimentos ainda acumulam alta no ano. Nos últimos 12 meses, a alimentação no domicílio subiu 6,23%, enquanto a inflação geral foi de 5,35%. A previsão para 2025 é que os preços dos alimentos cresçam cerca de 5,5%, uma desaceleração em relação ao ano passado, quando a alta foi de 8,23%.

O desempenho do setor vai depender da continuidade da boa produção agrícola, do comportamento do dólar e das decisões políticas e comerciais entre os países.

O Brasil precisa acompanhar de perto os desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos, já que uma mudança repentina nas regras do comércio internacional pode afetar toda a cadeia produtiva. Embora alguns produtos, como o suco de laranja, tenham menor concorrência no mercado global, outros itens podem enfrentar mais dificuldades para manter os embarques e garantir bons preços aos produtores.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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