Tarifas dos EUA ameaçam estabilidade do mercado
Apesar desse cenário de melhora, um novo fator trouxe instabilidade para o setor. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. Entre os itens afetados estão o café, a carne bovina e o suco de laranja, que são três importantes produtos da pauta agrícola brasileira. A notícia foi recebida com preocupação por produtores e economistas, que temem os impactos dessas medidas sobre o câmbio e a inflação.
Com isso, parte da produção destinada à exportação pode ficar represada no mercado interno. Isso poderia gerar, num primeiro momento, uma maior oferta local, o que ajudaria a manter os preços baixos. No entanto, os especialistas alertam que esse alívio seria passageiro. O maior risco está na reação do mercado cambial. Com a ameaça de restrições ao comércio exterior, o dólar pode voltar a subir.
Uma valorização da moeda norte-americana encarece os itens agrícolas, além de outros produtos importados, o que pressionaria os preços para cima nos próximos meses.
A Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada no Congresso brasileiro e regulamentada por decreto, autoriza o governo federal a adotar medidas semelhantes contra países que apliquem restrições comerciais ao Brasil. No entanto, integrantes do governo, como a senadora Tereza Cristina, avaliam que essa retaliação deve ser usada apenas como último recurso.
Ela defende que o Brasil busque primeiro o diálogo com os Estados Unidos, para tentar reverter as tarifas por meio da diplomacia. Um confronto direto, segundo a senadora, prejudicaria os dois lados.


