Viajar para o exterior sempre exige planejamento financeiro, principalmente na hora de converter moedas e lidar com taxas bancárias. Mas agora, os brasileiros que visitam a França têm um novo aliado para facilitar as compras do dia a dia: o Pix.
A partir de julho de 2025, turistas brasileiros já podem utilizar o sistema de pagamento instantâneo em lojas, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais de cidades como Paris, Lyon e Marselha. A novidade é fruto de parcerias entre startups brasileiras com atuação na Europa e comerciantes franceses interessados em atrair consumidores do Brasil.
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Como funciona o Pix na França
O Pix, criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, revolucionou os pagamentos digitais no país por permitir transferências instantâneas e gratuitas entre contas. No Brasil, segundo dados do próprio Banco Central, o sistema já movimenta mais de R$ 1,5 trilhão por mês.
Na França, o funcionamento ocorre com mediação de plataformas como a VoucherPay, fintech brasileira que intermedia o processo. Ao realizar a compra, o cliente brasileiro escaneia um QR code gerado pela plataforma. A conversão de real para euro é feita automaticamente, e o valor é transferido ao comerciante local em poucos segundos.
Apesar da praticidade, a operação envolve uma taxa de 3% sobre o valor da transação, além da cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Atualmente, a alíquota de IOF para operações de câmbio em compras no exterior é de 4,38%, conforme estabelecido pelo governo brasileiro.
Isso significa que, numa compra de 100 euros (cerca de R$ 585 na cotação média de julho de 2025), o turista pagará aproximadamente R$ 605, já com os acréscimos das taxas.
Por que os comerciantes franceses estão aderindo?
A França é um dos destinos mais visitados por brasileiros na Europa. Em 2023, mais de 725 mil turistas brasileiros passaram pelo país, segundo a Atout France, órgão oficial de turismo. Com esse fluxo, comerciantes enxergaram no Pix uma maneira de facilitar as compras e, consequentemente, aumentar as vendas.
“É uma forma de atender bem o cliente brasileiro, que já está habituado ao Pix no dia a dia. O processo é rápido, seguro e evita problemas com cartão de crédito ou câmbio”, afirma Camille Durand, gerente de uma loja de cosméticos em Paris que recentemente adotou o sistema.
Além disso, o Pix pode representar economia para os comerciantes. Por não depender diretamente das bandeiras internacionais de cartão de crédito, como Visa e Mastercard, os lojistas conseguem reduzir taxas administrativas e tornar o processo mais simples.
Expansão internacional do Pix
A adoção do Pix na França segue uma tendência já observada em outros destinos populares entre brasileiros. Em Buenos Aires, por exemplo, o sistema já é aceito em mercados e feiras por meio de plataformas como Usend e Bancoin. Em Miami, onde há forte presença da comunidade brasileira, restaurantes e lojas também vêm incorporando o pagamento via QR code com conversão instantânea.
Essa expansão é impulsionada por fintechs brasileiras que encontram no exterior um público consumidor já familiarizado com a tecnologia. O Banco Central do Brasil, embora não atue diretamente fora do país, acompanha com atenção o avanço do sistema por meio de integrações promovidas por empresas privadas.
Vantagens e cuidados para o turista
A principal vantagem do Pix internacional é a conveniência. Sem a necessidade de abrir contas em bancos estrangeiros ou pagar taxas de saque em caixas eletrônicos, o turista consegue fazer compras com o celular, exatamente como faz no Brasil.
Por outro lado, é importante estar atento às taxas e à cotação utilizada pelas plataformas. O ideal é sempre comparar com os custos do cartão de crédito tradicional e verificar o valor final da transação antes de concluir o pagamento.
Outro ponto é a segurança. Embora o Pix seja considerado um meio de pagamento seguro no Brasil, é essencial garantir que o QR code exibido seja gerado por uma plataforma confiável.
O que esperar daqui para frente?
A aceitação do Pix na França pode ser o primeiro passo para uma integração maior entre sistemas de pagamento ao redor do mundo. A longo prazo, há expectativa de que o Pix internacional seja padronizado por meio de acordos multilaterais, como o do G20, que prevê maior interoperabilidade entre sistemas de pagamento instantâneo até 2027.
Enquanto isso, para os brasileiros que planejam uma viagem à França, a recomendação é: mantenha seu Pix ativo, atualize seus aplicativos bancários e verifique com antecedência os estabelecimentos que já aceitam esse meio de pagamento.
Afinal, quando se trata de praticidade, o Pix tem mostrado que pode ultrapassar fronteiras.
*Entrevista concedida ao Metro1.


