Queda lenta, mas contínua
Apesar do alto comprometimento, o estudo aponta para uma melhora gradual nos últimos anos. Em 2022, 72,3% da renda estava destinada ao pagamento de dívidas e contas fixas. No ano seguinte, esse percentual caiu para 72%, reduzindo novamente em 2024 para 70,9% e chegando em 2025 ao nível atual de 70,5%.
A redução ainda é pequena, mas mostra um movimento positivo, que pode estar ligado a três fatores principais: renegociação de débitos, maior acesso a informações sobre finanças pessoais e o aumento de campanhas voltadas à educação financeira. O Governo Federal e a própria Serasa lançaram ao longo de 2025 ações para auxiliar a população a quitar dívidas, com redução de juros e facilitação de pagamentos.
Outro ponto relevante é a maior cautela de parte dos consumidores na hora de assumir novos compromissos. Muitos têm buscado alternativas para fugir de linhas de crédito caras, como o rotativo do cartão, considerado um dos mais pesados do mercado devido às taxas de juros elevadas. Programas de refinanciamento com prazos mais longos e juros menores também ajudam a reorganizar as contas e dão fôlego a quem já estava no vermelho.
Apesar da melhora, a situação ainda é preocupante. Ter mais de 70% da renda comprometida significa que a maioria das famílias não consegue poupar ou investir. Sem uma reserva financeira, qualquer imprevisto pode virar um problema sério. Uma consulta médica inesperada, um conserto no carro ou a perda de uma fonte de renda podem forçar o consumidor a recorrer novamente a empréstimos, criando um ciclo de endividamento difícil de interromper.
A disparidade entre as faixas salariais também exige atenção. Enquanto famílias de maior renda conseguem se proteger melhor contra imprevistos e até investir em oportunidades de crescimento, aquelas que vivem com pouco mal conseguem quitar as despesas essenciais. Esse desequilíbrio amplia a vulnerabilidade social e dificulta que pessoas de baixa renda tenham condições de melhorar de vida a longo prazo.


