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Geração Z estoura orçamento com pequenos mimos

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A Geração Z adotou a chamada “treat culture”, estilo de vida que valoriza pequenos mimos como cafés, doces ou acessórios como forma de autocuidado ou recompensa. A hashtag #sweet little treat meme (doce pequeno e delicioso) já soma mais de 23 milhões de vídeos no TikTok, nos quais os jovens compartilham suas compras impulsivas.

A prática tem respaldo em pesquisas: segundo levantamento do Bank of America, 57% dos jovens da Geração Z admitem comprar um mimo pelo menos uma vez por semana. Isso mostra como esse hábito ganhou relevância cultural entre os vinte e poucos anos.

A Geração Z representa a maior parte do consumo de experiências, mas enfrenta dificuldades para economizar: a relação de gastos sobre poupança chegou a 1,93, segundo o Bank of America | Foto: Reprodução/Canva
A Geração Z representa a maior parte do consumo de experiências, mas enfrenta dificuldades para economizar, segundo o Bank of America | Foto: Reprodução/Canva

Riscos financeiros e falta de controle

Mesmo sendo pequenos gastos, os mimos podem comprometer o orçamento. Ainda conforme o Bank of America, 59% dos jovens que compram mimos reconhecem que acabam gastando em excesso.

O caso de Naomi Barrales ilustra essa situação. Após um mês se presenteando três vezes por semana, ela percebeu uma redução de cerca de US$50 na conta corrente — o equivalente hoje a R$ 260, considerando o câmbio aproximado de R$5,20. Para ela, o pequeno gasto parecia inofensivo, como “só US$6”, mas se tornou recorrente e prejudicial às finanças pessoais.

Geração Z vê compras como escape emocional

Segundo o professor Gregory Stoller, da Universidade de Boston, esse comportamento é uma resposta emocional. Em um contexto de mercado de trabalho instável e custo de vida alto, esses gastos oferecem uma sensação temporária de controle. Ele ressalta que muitos jovens dizem que, se estivessem em situação semelhante, também se dariam um mimo.

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Exemplos também mostram gastos elevados: Angelina Aileen, de 23 anos, gastou US$350 (aproximadamente R$1820) em suplementos como autocuidado, mas se arrependeu. Hoje, opta por mimos menores, como manicure e massagem — uma forma de autocuidado mais equilibrada.

Já Alanis Castro-Pacheco, aos 22 anos, comprou um baixo e amplificador de US$500 (R$2600) na faculdade, e por mais que tenha se arrependido, mantém aulas de guitarra quinzenais de US$75 (cerca de R$390), aproveitando o investimento no aprendizado.

Impacto no comércio e estratégias de negócios

A treat culture também transforma o varejo de experiências. Na rede Angelina Bakery, em Nova York, mais da metade dos 11 mil clientes semanais é da Geração Z. O proprietário aposta em produtos chamativos, como croissants de US$30 (cerca de R$ 156), justamente para atender esse público que valoriza a experiência mais do que preço.

Alternativas mais responsáveis

Profissionais como Holly O’Neill, executiva do Bank of America, recomendam que quem adere à cultura do mimo alinhe os gastos ao orçamento realista. Ela sugere buscar alternativas sustentáveis, como empréstimo de livros em bibliotecas, por exemplo.

Naomi encontrou um equilíbrio ao reservar US$25 (cerca de R$130) a cada duas semanas exclusivamente para seus mimos. Assim, permite-se pequenas indulgências, mas dentro de uma gestão financeira consciente.

*Entrevistas concedidas ao InfoMoney.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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