Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em julho de 2025, o café registrou sua primeira queda nos preços desde dezembro de 2023. A redução foi de 1,01% e o recuo interrompe uma sequência de 18 meses seguidos de aumentos, o que é uma mudança importante para consumidores que compram o produto com frequência.

Desde dezembro de 2023, o preço não parou de subir, pesando cada vez mais no orçamento familiar. Essa variação aparece de forma mais clara no levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic): em junho de 2025, o quilo do café moído custava, em média, R$ 66,70, contra R$ 34,46 no mesmo mês de 2024.
Oferta maior no campo
O recuo dos preços está ligado principalmente à safra. No campo, as cotações caíram com o avanço da colheita, que no Brasil começou em março e vai até setembro. Os meses de junho e julho concentram boa parte do volume colhido, aumentando a oferta no mercado. Com mais grãos disponíveis, o custo para o consumidor tende a cair, mesmo que de forma lenta.
Essa tendência já havia aparecido em indicadores anteriores. No IPCA-15, que é a prévia da inflação, o café também mostrou recuo no mês de julho. Outro levantamento, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, apontou resultado semelhante. Ainda assim, especialistas destacam que os preços seguem em patamar alto.
Mesmo com a queda de julho, o café moído acumula alta de 70,51% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE. Esse aumento é resultado de vários fatores, como problemas climáticos nas lavouras, aumento dos custos de produção e variações no mercado internacional.
Peso no orçamento
Nas famílias de renda mais baixa, o café é um item presente no dia a dia. Ele está na mesa do café da manhã, no lanche e até no intervalo do trabalho. Por isso, qualquer variação no preço é sentida rapidamente. Quando o produto sobe muito, muitas pessoas reduzem o consumo, optam por marcas mais baratas ou passam a misturar o pó com outros ingredientes para fazer render mais.
O IPCA de julho também mostrou que o grupo Alimentação e Bebidas caiu 0,27% no mês, marcando o segundo recuo seguido — em junho, havia sido de −0,18%. Esse grupo inclui outros alimentos básicos, o que pode ajudar a aliviar o custo da alimentação. Ainda assim, os preços continuam altos em comparação com anos anteriores, e qualquer redução tende a ser absorvida rapidamente por outros aumentos.
Incertezas sobre o futuro
Apesar do alívio no bolso, não há garantia de que a queda vai continuar nos próximos meses. O preço do café pode voltar a subir, já que a colheita ocorre apenas uma vez por ano e, após encerrada, a oferta de grãos diminui. Além disso, fatores externos também podem influenciar.
No início de agosto, entrou em vigor uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro nos Estados Unidos. Por enquanto, especialistas avaliam que esse aumento não deve afetar o preço no Brasil de forma imediata. As exportações para o mercado americano não foram interrompidas e o impacto de medidas como essa costuma demorar para aparecer no comércio interno.
Outro ponto é que a queda atual pode estar mais relacionada à oferta no campo do que a mudanças no cenário internacional. O próprio IBGE explica que, com mais café disponível, o preço tende a ceder, mas ainda não é possível afirmar que essa redução será duradoura.
Enquanto isso, consumidores de menor renda seguem atentos aos preços nas prateleiras. O café é visto não apenas como uma bebida, mas como parte importante da rotina. Assim, cada variação no valor tem impacto direto no orçamento e nos hábitos de consumo.


