Os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos importados do Brasil. A medida foi oficializada na última quarta-feira, 30 de julho, e começa a valer no dia 6 de agosto. Com isso, muitos itens brasileiros vendidos para o mercado americano vão ficar mais caros.

A nova tarifa representa um aumento de 40 pontos percentuais, pois a cobrança anterior era de 10%. O governo dos EUA informou que todos os itens importados do Brasil passam a ser taxados, exceto os que foram colocados numa lista especial de isenções. Ou seja, tudo o que não estiver nessa lista terá que pagar o imposto maior.
Café, carne e frutas estão entre os mais prejudicados
O café brasileiro, famoso no mundo todo, é um dos produtos mais vendidos aos Estados Unidos. Em 2024, o Brasil exportou quase 2 bilhões de dólares em café para lá. Isso representa cerca de 17% de tudo o que foi vendido no exterior.
Com a nova tarifa, o produto ficará mais caro nos supermercados americanos, o que pode reduzir as compras por lá e afetar os produtores brasileiros. Quem cultiva, processa e vende o café pode ganhar menos e, em alguns casos, até parar de exportar para os Estados Unidos.
Outro setor muito afetado é o da carne bovina. Os Estados Unidos são o segundo maior destino da carne brasileira. Em 2024, foram enviadas mais de 530 mil toneladas, o que gerou 1,6 bilhão de dólares em receita. Com o novo imposto, o lucro das empresas pode diminuir bastante.
Grandes empresas do setor até podem compensar parte da perda com fábricas instaladas nos Estados Unidos, mas muitos produtores menores vão sentir os efeitos diretamente.
O setor de frutas também está na lista dos mais atingidos. Em 2023, o Brasil exportou mais de 1 milhão de toneladas de frutas. Muitas dessas foram para os Estados Unidos, como manga, uva, açaí e outras frutas tropicais.
A nova tarifa pode fazer com que essas frutas fiquem caras demais para os consumidores americanos. Com isso, o Brasil pode vender menos e ter prejuízo.
Calçados, roupas e máquinas também sentirão o impacto
Os calçados brasileiros também não foram incluídos na lista de isenções. Isso significa que todo sapato, sandália, tênis e outros produtos do setor agora pagarão a tarifa de 50%.
O setor exporta muito para os Estados Unidos e já sofre com a concorrência de países asiáticos. Agora, com os preços ainda mais altos, muitas empresas podem perder mercado.
As roupas e tecidos brasileiros, chamados de têxteis, também entram na lista dos que vão pagar mais imposto. Só alguns itens muito específicos ficaram de fora, como fios usados em empacotamento e materiais próprios para aviões.
Máquinas agrícolas e industriais, usadas no campo ou em fábricas, também sentirão os efeitos. Algumas partes e peças foram poupadas, mas muitas outras vão sofrer a cobrança maior.
Até móveis, como cadeiras e mesas, foram afetados. Só ficaram de fora alguns tipos usados em aviões, que entram na mesma exceção que se aplica às aeronaves civis.
O que ficou de fora da nova tarifa
Apesar do impacto, alguns produtos brasileiros importantes foram poupados da tarifa extra. Entre eles estão:
- Petróleo, o produto mais vendido do Brasil aos EUA;
- Aeronaves civis, como os jatos fabricados pela Embraer;
- Suco de laranja e fertilizantes, usados na agricultura;
- Celulose e madeira, materiais usados na fabricação de papel e móveis.
Esses itens seguem com a tarifa antiga de 10%, o que ajuda a manter os preços competitivos e evita prejuízos maiores para algumas empresas e setores.


