Os gastos dos consumidores nos Estados Unidos com as festas de fim de ano devem sofrer a maior queda desde a pandemia da covid-19. De acordo com levantamento realizado pela consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), o gasto médio projetado por pessoa em 2025 é de US$ 1.552, o equivalente a aproximadamente R$ 8.640 na cotação de R$ 5,56 por dólar (Banco Central do Brasil, 2 de setembro de 2025). O valor representa uma queda de 5,3% em relação a 2024, quando o desembolso médio foi de US$ 1.640.
A última vez em que houve retração semelhante foi em 2020, ano marcado por restrições sociais devido à pandemia, quando os gastos caíram 7,6%, chegando a US$ 1.187 (cerca de R$ 6.600).
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Cautela diante da incerteza econômica
A pesquisa ouviu aproximadamente 4.000 consumidores norte-americanos entre junho e julho deste ano. Os dados mostram que 84% dos entrevistados esperam reduzir seus gastos nos próximos seis meses. As principais áreas de corte devem ser vestuário, produtos de maior valor agregado e refeições fora de casa.
Mais da metade dos participantes destacou que a alta nos preços é um fator decisivo para rever o orçamento das festas de fim de ano. O cenário também é impactado pelas incertezas em torno da política econômica e comercial do governo dos Estados Unidos, o que reforça a postura conservadora no consumo.
Presentes lideram redução dos orçamentos
Entre as categorias de gastos, os presentes aparecem como os mais afetados. O orçamento médio destinado a essa finalidade deve cair 11%, passando de US$ 814 em 2024 (cerca de R$ 4.524) para US$ 721 em 2025 (aproximadamente R$ 4.010).
Esse movimento reflete não apenas a preocupação com os preços, mas também uma mudança de comportamento entre consumidores mais jovens. A pesquisa aponta que a Geração Z, formada por pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010, deve reduzir seus gastos em 23% neste ano. Em contraste, no mesmo período de 2024, esse grupo havia aumentado o orçamento em 37%.
Jovens vão às lojas, mas compram menos
Kelly Pedersen, sócia da PwC, explicou que o comportamento da Geração Z é marcado pela valorização da experiência de compra. Segundo ela, o tráfego de jovens em lojas físicas tem crescido, mas o movimento não se converte proporcionalmente em transações. “Eles querem a experiência, mas não estão necessariamente comprando”, afirmou à Reuters.
Esse fenômeno reforça a ideia de que os consumidores dessa faixa etária tendem a adotar posturas mais seletivas, avaliando cada compra em função de prioridade e impacto no orçamento.
Grandes varejistas diante de um cenário incerto
A queda nos gastos deve impactar diretamente grandes redes varejistas dos Estados Unidos, que têm a temporada de fim de ano como um dos períodos mais importantes para suas receitas. Empresas como Target, Best Buy e Home Depot optaram por manter suas previsões financeiras anuais, demonstrando cautela diante do cenário. Já o Walmart e a Abercrombie & Fitch revisaram suas projeções para cima, enquanto a fabricante de brinquedos Mattel reduziu suas estimativas.
Para especialistas, a estratégia das companhias reflete diferentes graus de exposição à desaceleração do consumo. Enquanto empresas mais diversificadas conseguem absorver parte da queda, marcas que dependem fortemente de itens sazonais devem sentir mais fortemente os efeitos da retração.
Gastos mais seletivos e planejados
De acordo com a PwC, os consumidores norte-americanos estão conduzindo o processo de compra de fim de ano de forma mais deliberada. Isso significa que as decisões tendem a priorizar o que é considerado essencial, eliminando supérfluos ou reduzindo gastos em categorias específicas.
Apesar das projeções de queda, a consultoria observa que o comportamento real ainda pode sofrer ajustes nos próximos meses. Um dos fatores que podem influenciar é a diminuição da incerteza em relação às tarifas comerciais, o que pode atenuar a percepção de risco entre consumidores e empresas.
Contexto global e repercussões
A retração dos gastos nos EUA, maior economia do mundo, tem repercussões que vão além do consumo interno. Como o país representa um dos principais mercados para bens de consumo, a expectativa é que fornecedores internacionais também sintam os efeitos da desaceleração.
Além disso, o cenário pode influenciar decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed), que acompanha atentamente os indicadores de consumo como parte de sua estratégia de combate à inflação e de estímulo à economia.


