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Greve histórica paralisa França e pressiona governo

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Cerca de 800 mil a 1 milhão de trabalhadores participaram na última quinta-feira, 18 de setembro, da maior greve dos últimos anos na França, segundo estimativas de sindicatos e autoridades locais. A mobilização nacional atingiu transportes, escolas, saúde e serviços básicos. O motivo são os cortes orçamentários de € 44 bilhões (R$ 274 bilhões) previstos no próximo orçamento.

O movimento ocorre no início do mandato do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que assumiu o cargo após a queda de François Bayrou, derrubado por voto de desconfiança.

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Greve em Paris mobilizou até 1 milhão de trabalhadores e paralisou transportes e serviços públicos | Foto: Reprodução/Canva
Greve em Paris mobilizou até 1 milhão de trabalhadores e paralisou transportes e serviços públicos | Foto: Reprodução/Canva

Como os protestos se espalharam

As manifestações ocorreram em mais de 250 cidades francesas, incluindo Paris, Lyon, Lille e Marselha. O Ministério do Interior mobilizou 80 mil policiais para conter o risco de confrontos, registrados em diferentes pontos da capital. Segundo autoridades, mais de 140 pessoas foram detidas.

O transporte público foi o setor mais impactado. Em Paris, linhas de metrô e trens regionais não funcionaram após 91% dos motoristas aderirem à greve. Nos aeroportos, os voos tiveram impacto limitado, já que sindicatos do setor aéreo marcaram paralisações para outubro.

Na educação, cerca de um terço dos professores não deu aula, afetando milhares de alunos. As farmácias também fecharam em massa: 98% permaneceram fechadas. No setor energético, a estatal EDF reduziu em 1,1 gigawatt a produção de energia nuclear como parte das ações sindicais.

Motivações da greve

A crise começou com o plano de cortes anunciado pelo ex-premiê François Bayrou. O pacote previa medidas como congelamento de aposentadorias, aumento de custos com saúde e até a eliminação de dois feriados nacionais para reduzir a dívida pública, que está em 114% do PIB francês.

Apesar de Lecornu ter prometido rever pontos polêmicos, como a proposta de extinguir feriados, sindicatos acreditam que as medidas de austeridade serão mantidas em parte. Eles pedem mais recursos para serviços públicos e uma tributação maior sobre grandes fortunas e empresas.

Um país em instabilidade política

A França enfrenta instabilidade desde as eleições antecipadas de 2024, que deixaram o Parlamento dividido entre esquerda, centro e extrema-direita, sem maioria clara. Bayrou foi o segundo primeiro-ministro a perder o cargo em menos de um ano devido a disputas sobre o orçamento.

Agora, Lecornu busca costurar apoio para aprovar o novo plano fiscal e evitar nova rejeição. Seu primeiro discurso no Parlamento está marcado para 2 de outubro. O desafio é equilibrar as demandas dos sindicatos, a pressão política e a expectativa dos mercados.

Pressão política e econômica

Partidos de oposição também aumentam a pressão sobre o novo premiê. O Partido Socialista cobra o “fim dos cortes severos” e defende maior taxação sobre os mais ricos. Já a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, declarou que, se o governo seguir com a mesma linha econômica, “ele cairá”.

O mercado financeiro reagiu à instabilidade. Na semana passada, a agência Fitch rebaixou a nota de crédito da França, citando riscos políticos e incertezas sobre a execução do ajuste fiscal. A decisão aumenta o custo de captação do país e reforça a necessidade de uma solução rápida para o orçamento.

Próximos passos

O governo tem até o início de outubro para apresentar o texto orçamentário ao Parlamento. Até lá, sindicatos já anunciaram que devem manter a mobilização. Novos protestos estão sendo organizados pelo movimento “Bloquons Tout” (“Vamos Bloquear Tudo”), que lidera as manifestações em várias cidades.

As próximas semanas serão marcadas por negociações intensas em torno do orçamento e da condução da política fiscal francesa. O resultado desse embate definirá o rumo da governabilidade e o equilíbrio das contas públicas em meio ao cenário de contestação social.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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