O real é uma das moedas que mais ganharam valor neste ano. Até 17 de setembro de 2025, a moeda brasileira já subiu 16,18% em relação ao dólar.

O motivo principal está na diferença entre os juros dos Estados Unidos e os do Brasil. Enquanto o banco central americano, o Federal Reserve (Fed), começou a reduzir suas taxas, o Brasil ainda mantém juros bem mais altos. Isso faz com que investidores estrangeiros tragam seu dinheiro para o país, em busca de rendimentos maiores, o que fortalece o real.
Ao mesmo tempo, o dólar vem perdendo valor globalmente. A política econômica do presidente Donald Trump gera desconfiança e afasta investidores, o que também contribui para a queda da moeda americana.
O real entre as moedas mais fortes
De acordo com levantamento do Valor Data, quase todas as moedas analisadas subiram em 2025. Entre elas, o real é destaque, ficando entre as cinco que mais se valorizaram.
O primeiro lugar do ranking é o rublo da Rússia, que já aumentou 36,60% neste ano. Em seguida vem o florim da Hungria, com 19,96%. Depois aparecem a coroa sueca (+18,29%) e a coroa tcheca (+17,81%). Logo depois está o real brasileiro, com 16,18% de alta.
Essa valorização coloca a moeda nacional no melhor patamar desde junho de 2024, reforçando o interesse internacional pelo Brasil.
Moedas que perderam valor
Apesar da tendência de alta em quase todo o mundo, quatro moedas registraram queda em 2025.O pior desempenho é do peso argentino, que perdeu 30,05% do valor. A forte desconfiança com o governo de Javier Milei, eleito no fim de 2023, derrubou a confiança dos investidores e afetou diretamente a moeda local.
A lira turca aparece na segunda pior posição, com queda de 14,45%. Em seguida vem a rúpia indiana (-2,98%), e por último a rúpia da Indonésia (-1,84%).
O que isso significa para os brasileiros
A valorização do real tem efeitos práticos no dia a dia. Para quem viaja ao exterior, por exemplo, a queda do dólar ajuda a gastar menos. Produtos importados também ficam mais baratos, o que pode aliviar os preços de alguns itens no Brasil.
No entanto, há um lado menos positivo. Quando o dólar cai, empresas brasileiras que exportam — como as do agronegócio e da indústria — recebem menos em reais pelas vendas para fora. Isso pode reduzir os lucros desses setores.
Mesmo assim, o resultado geral tende a ser favorável. Um real mais forte ajuda a conter a inflação, traz estabilidade para o câmbio e aumenta a confiança no país.
Perspectivas para os próximos meses
O que vai acontecer daqui para frente depende, em grande parte, da política de juros nos Estados Unidos. Se o Fed continuar cortando as taxas, o dólar pode seguir fraco, o que beneficiaria ainda mais moedas como o real.
Mas o Brasil também precisa manter a confiança dos investidores. Decisões ligadas à política fiscal e à responsabilidade com os gastos públicos serão importantes para sustentar esse movimento.
2025 já é um ano marcante: o dólar, que quase sempre é visto como símbolo de estabilidade, está em queda, e o real aparece como uma das moedas que mais ganham força no cenário global.


