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Alimentos têm queda nos preços pelo 5º mês seguido; veja as maiores reduções do ano

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Os alimentos, que no primeiro semestre foram os principais responsáveis pela alta da inflação, agora ajudam a conter o aumento dos preços no país. Segundo os dados do IPCA-15, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor registrou queda nos preços pelo quinto mês consecutivo em outubro. Isso significa que, em média, os alimentos ficaram mais baratos nesse período.

Queda no preço dos alimentos favorece o consumidor
Enquanto o índice geral de preços teve alta de 0,18% na primeira quinzena de outubro, os alimentos apresentaram redução de 0,02% | Foto: Reprodução / Canva

Essa diminuição, ainda que pequena, mostra uma mudança importante no comportamento dos preços, que vinham subindo de forma constante até o meio do ano.

Queda nos preços de hortaliças e frutas

Entre os produtos com as maiores reduções de preço nas duas primeiras semanas de outubro estão o pepino (-24,4%), a abobrinha (-20,8%), o morango (-15,6%), o peixe castanha (-12,7%) e o pimentão (-9,5%).

O pepino e a abobrinha são alimentos muito sensíveis ao clima. Quando há melhora nas condições de plantio e colheita, como o aumento da oferta durante a safra, os preços tendem a cair rapidamente. O morango, por sua vez, costuma ter preços mais altos fora de época, mas no fim do inverno e início da primavera sua colheita se intensifica, o que explica a queda.

Já os peixes, como castanha e dourada, ficaram mais baratos devido ao aumento da oferta e à menor procura, comum neste período do ano. O pimentão também teve redução expressiva, o que pode estar ligado à boa produção nas principais regiões produtoras do país.

Alimentos com aumento de preços

Na outra ponta, alguns produtos registraram aumento relevante nos preços em outubro. O maracujá liderou as altas, com valorização de 21,5%, seguido pelo limão (+16%), laranja lima (+10,7%), banana maçã (+8,7%) e banana d’água (+7,6%).

Esses produtos ficaram mais caros devido a fatores como menor oferta e variações climáticas. No caso do maracujá e do limão, o período de menos colheita reduz a quantidade disponível nos mercados, pressionando os preços. As bananas, muito consumidas em todo o país, também ficaram mais caras devido a perdas de safra e aumento da demanda.

Entre os alimentos que recentemente preocupavam o consumidor, como o café moído e o azeite de oliva, houve estabilidade ou queda. O café subiu apenas 0,4% em outubro, e o azeite teve recuo de 2%. Ambos haviam sido destaques de alta no início do ano, mas agora mostram sinais de estabilização.

Inflação acumulada em 12 meses

Mesmo com a sequência de reduções mensais, a inflação dos alimentos ainda é mais alta quando se olha o acumulado dos últimos 12 meses. Enquanto o IPCA-15 geral aumentou 4,94% nesse período, os preços dos alimentos subiram 6,26%, segundo o IBGE.

Os produtos que mais aumentaram de preço desde outubro do ano passado foram o café moído (+53,1%), a abobrinha (+42,9%), o pimentão (+36,2%), o tomate (+28,2%) e o café solúvel (+26,5%). Esses aumentos foram influenciados por custos de produção mais altos, variações no clima e pela desvalorização do real no início do ano, que impactou itens importados.

Na direção contrária, os alimentos que mais baratearam foram a batata inglesa (-39,2%), o feijão preto (-32,2%), a cebola (-27,2%), o pepino (-27%) e o arroz (-22,5%). Esses produtos são básicos no prato do brasileiro e costumam oscilar bastante conforme o volume de colheita e as condições do tempo. A queda recente ajudou a aliviar o bolso das famílias, principalmente das de baixa renda, que gastam boa parte do orçamento com alimentação.

O comportamento dos preços em 2025

O ano de 2025 tem sido de contrastes no setor de alimentos. No acumulado até outubro, os preços do grupo subiram 3,34%, uma alta menor que a do índice geral, que ficou em 3,94%. Os dados mostram que alguns produtos continuam em trajetória de aumento, enquanto outros registraram quedas históricas. As maiores altas do ano foram da abobrinha (+48,2%), do café moído (+44,5%), do pimentão (+42,9%), da manga (+34,9%) e do tomate (+27,1%).

No caso da abobrinha e do pimentão, o aumento está ligado a períodos de seca e calor intenso, que reduziram a oferta. Já o café moído ainda sofre com reflexos de problemas climáticos nas lavouras e com o aumento dos custos de transporte. A manga e o tomate, por serem frutas e hortaliças de alta sensibilidade ao clima, também apresentaram grande variação.

Entre as maiores quedas do ano, destacam-se o abacate (-56,5%), a laranja lima (-40,6%), a batata inglesa (-34,1%), o feijão preto (-31,5%) e a laranja pera (-27,6%).

O abacate teve forte redução devido à safra recorde registrada no primeiro semestre, o que aumentou a oferta e derrubou os preços. Já as laranjas — lima, pera e baía — ficaram mais baratas com a colheita abundante no interior de São Paulo e em Minas Gerais. A batata e o feijão também tiveram boa produção, o que ajudou a normalizar os preços após meses de alta.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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