Os alimentos, que no primeiro semestre foram os principais responsáveis pela alta da inflação, agora ajudam a conter o aumento dos preços no país. Segundo os dados do IPCA-15, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor registrou queda nos preços pelo quinto mês consecutivo em outubro. Isso significa que, em média, os alimentos ficaram mais baratos nesse período.

Essa diminuição, ainda que pequena, mostra uma mudança importante no comportamento dos preços, que vinham subindo de forma constante até o meio do ano.
Queda nos preços de hortaliças e frutas
Entre os produtos com as maiores reduções de preço nas duas primeiras semanas de outubro estão o pepino (-24,4%), a abobrinha (-20,8%), o morango (-15,6%), o peixe castanha (-12,7%) e o pimentão (-9,5%).
O pepino e a abobrinha são alimentos muito sensíveis ao clima. Quando há melhora nas condições de plantio e colheita, como o aumento da oferta durante a safra, os preços tendem a cair rapidamente. O morango, por sua vez, costuma ter preços mais altos fora de época, mas no fim do inverno e início da primavera sua colheita se intensifica, o que explica a queda.
Já os peixes, como castanha e dourada, ficaram mais baratos devido ao aumento da oferta e à menor procura, comum neste período do ano. O pimentão também teve redução expressiva, o que pode estar ligado à boa produção nas principais regiões produtoras do país.
Alimentos com aumento de preços
Na outra ponta, alguns produtos registraram aumento relevante nos preços em outubro. O maracujá liderou as altas, com valorização de 21,5%, seguido pelo limão (+16%), laranja lima (+10,7%), banana maçã (+8,7%) e banana d’água (+7,6%).
Esses produtos ficaram mais caros devido a fatores como menor oferta e variações climáticas. No caso do maracujá e do limão, o período de menos colheita reduz a quantidade disponível nos mercados, pressionando os preços. As bananas, muito consumidas em todo o país, também ficaram mais caras devido a perdas de safra e aumento da demanda.
Entre os alimentos que recentemente preocupavam o consumidor, como o café moído e o azeite de oliva, houve estabilidade ou queda. O café subiu apenas 0,4% em outubro, e o azeite teve recuo de 2%. Ambos haviam sido destaques de alta no início do ano, mas agora mostram sinais de estabilização.
Inflação acumulada em 12 meses
Mesmo com a sequência de reduções mensais, a inflação dos alimentos ainda é mais alta quando se olha o acumulado dos últimos 12 meses. Enquanto o IPCA-15 geral aumentou 4,94% nesse período, os preços dos alimentos subiram 6,26%, segundo o IBGE.
Os produtos que mais aumentaram de preço desde outubro do ano passado foram o café moído (+53,1%), a abobrinha (+42,9%), o pimentão (+36,2%), o tomate (+28,2%) e o café solúvel (+26,5%). Esses aumentos foram influenciados por custos de produção mais altos, variações no clima e pela desvalorização do real no início do ano, que impactou itens importados.
Na direção contrária, os alimentos que mais baratearam foram a batata inglesa (-39,2%), o feijão preto (-32,2%), a cebola (-27,2%), o pepino (-27%) e o arroz (-22,5%). Esses produtos são básicos no prato do brasileiro e costumam oscilar bastante conforme o volume de colheita e as condições do tempo. A queda recente ajudou a aliviar o bolso das famílias, principalmente das de baixa renda, que gastam boa parte do orçamento com alimentação.
O comportamento dos preços em 2025
O ano de 2025 tem sido de contrastes no setor de alimentos. No acumulado até outubro, os preços do grupo subiram 3,34%, uma alta menor que a do índice geral, que ficou em 3,94%. Os dados mostram que alguns produtos continuam em trajetória de aumento, enquanto outros registraram quedas históricas. As maiores altas do ano foram da abobrinha (+48,2%), do café moído (+44,5%), do pimentão (+42,9%), da manga (+34,9%) e do tomate (+27,1%).
No caso da abobrinha e do pimentão, o aumento está ligado a períodos de seca e calor intenso, que reduziram a oferta. Já o café moído ainda sofre com reflexos de problemas climáticos nas lavouras e com o aumento dos custos de transporte. A manga e o tomate, por serem frutas e hortaliças de alta sensibilidade ao clima, também apresentaram grande variação.
Entre as maiores quedas do ano, destacam-se o abacate (-56,5%), a laranja lima (-40,6%), a batata inglesa (-34,1%), o feijão preto (-31,5%) e a laranja pera (-27,6%).
O abacate teve forte redução devido à safra recorde registrada no primeiro semestre, o que aumentou a oferta e derrubou os preços. Já as laranjas — lima, pera e baía — ficaram mais baratas com a colheita abundante no interior de São Paulo e em Minas Gerais. A batata e o feijão também tiveram boa produção, o que ajudou a normalizar os preços após meses de alta.


