O bitcoin subiu cerca de 2,90% e atingiu R$ 646.155,77 (US$ 120.683,96) por volta das 16h (horário de Brasília) na quinta-feira, 2 de outubro. Esse movimento coloca a criptomoeda próxima dos níveis mais altos desde agosto de 2025.
A alta foi impulsionada por expectativas renovadas de cortes na taxa de juros do Federal Reserve (Fed) e reações ao shutdown nos Estados Unidos, a paralisação do governo que ocorre caso o orçamento para o ano fiscal seguinte não seja aprovado até 30 de setembro. Além do bitcoin, o ethereum também teve valorização: subiu 4,02%, indo a R$ 24.071,67 (US$ 4.490,87).
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Contexto macroeconômico e expectativa de cortes de juros
Nos EUA, os dados recentes de criação de vagas no setor privado vieram abaixo do esperado, o que reacendeu apostas no mercado de que o Fed pode reduzir sua taxa de juros ainda em 2025. Esse ambiente de expectativa favorece ativos de risco, como criptomoedas.
Por outro lado, o shutdown — a paralisação parcial do governo americano — eleva incertezas políticas e pode interferir na condução da política monetária no curto prazo. O economista-chefe do Santander para os EUA, Stephen Stanley, avaliou que uma paralisação prolongada poderia obrigar o Fed a manter os juros estáveis em vez de adiantar cortes.
Nesse cenário, o bitcoin opera sob uma dupla influência: a confiança de que juros menores estimularão investimentos em ativos alternativos e o receio de turbulência política que pode trazer fluxo de fuga para ativos seguros, como títulos americanos.
Movimento técnico e análise de preço
Analistas apontam que o bitcoin fez um rali desde a mínima de R$ 582.476,96 (US$ 108.631), registrada em 25 de setembro. Essa trajetória representou uma valorização de quase 9,96% até chegar próximo a R$ 643.200 (US$ 120.000).
A trader Ana de Mattos, associada à Ripio, destacou que os suportes técnicos estão entre R$ 606.308 (US$ 113.300) e R$ 579.088 (US$ 108.000), enquanto resistências estão nas faixas de R$ 643.200 (US$ 120.000) a R$ 666.963,84 (US$ 124.474). Se o fluxo comprador persistir, o bitcoin pode testar regiões superiores; caso o sentimento se inverta, poderá recuar para os suportes citados.
Um fenômeno adicional chamou atenção: a criptomoeda Zcash (ZEC) registrou valorização expressiva de 144,69% entre 30 de setembro e 2 de outubro, subindo de R$ 338,30 (US$ 63,10) para R$ 827,58 (US$ 154,40). Alguns analistas viram nisso um indicativo de que parte do capital está migrando para altcoins (moedas alternativas ao bitcoin) com desempenho mais agressivo.
Ainda assim, mesmo com os fatores técnicos e macro em jogo, permanece o risco de reversão se ocorrerem choques negativos no cenário global.
Conversão do bitcoin para real e impacto para investidores brasileiros
Para quem opera do Brasil, a cotação em real torna os ganhos e perdas mais tangíveis. Segundo o site Investing.com, o par BTC/BRL estava sendo negociado a aproximadamente R$ 644.855 (ou seja, um bitcoin equivaleria a cerca de seiscentos e quarenta e quatro mil e oitocentos e cinquenta e cinco reais) no momento da análise.
Isso mostra que, embora a valorização em dólares pareça impressionante, o impacto final para o investidor brasileiro dependerá também da cotação do real frente ao dólar no momento da conversão.
Riscos e cenários atentos ao curto prazo
Mesmo com expectativas favoráveis, há riscos palpáveis:
- Se o shutdown se estender, o Fed (banco central dos Estados Unidos) pode adiar cortes de juros, reduzindo o estímulo para ativos de risco.
- Fluxos institucionais podem se retrair em momentos de estresse.
- A região de resistência em torno de R$ 643.200 (US$ 120.000) é considerada crítica: rompimento robusto sustentado com volume pode impulsionar novas altas; falha no rompimento pode provocar correção.
- Analistas técnicos observam que, se o bitcoin perder suporte em R$ 606.308 (US$ 113.300), pode haver recuo até a faixa entre R$ 579.088 (US$ 108.000) e R$ 589.696 (US$ 110.000). Alguns alertam para lateralização até que algum novo fator direcione o mercado.
- Além disso, o histórico sazonal tem peso simbólico: estudos de firmas ligadas ao mercado cripto como a LMAX apontam que outubro costuma ser mês favorável ao bitcoin, com retornos positivos em 10 dos últimos 12 anos.
No mercado de ativos digitais, a dinâmica de valorização tende a ser mais volátil e menos previsível que em mercados tradicionais, o que exige cautela por parte de investidores.


